O Partido de extrema-direita conquista o primeiro lugar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. CDU de Friedrich Merz sofre o pior resultado estadual da sua história no pós-guerra. Em Berlim, Die Linke surge na liderança. Chanceler classifica resultado da CDU como “desastre”, mas promete manter-se no cargo e prosseguir reformas.
A Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou este domingo uma nova vitória eleitoral de grande dimensão na Alemanha, ao terminar em primeiro lugar nas eleições regionais de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, segundo as primeiras projeções divulgadas pelas emissoras públicas alemãs.
A AfD obteve cerca de 37,8% dos votos, ligeiramente à frente do Partido Social-Democrata (SPD), que governa atualmente o estado e surge com cerca de 36,3%. A CDU, partido do chanceler Friedrich Merz, ficou próxima dos 5%, um resultado historicamente baixo.
O resultado representa um duro revés para a CDU. Segundo a Associated Press, os cerca de 5,2% projetados para o partido em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental constituem o seu pior resultado numa eleição estadual desde a Segunda Guerra Mundial.
Merz admite “desastre”
Friedrich Merz reconheceu a dimensão da derrota. O chanceler classificou o resultado da CDU em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como “um desastre”, acrescentando que o desempenho não podia ser disfarçado. Ao mesmo tempo, rejeitou a ideia de abandonar o cargo ou alterar a sua estratégia de governo.
Merz afirmou que pretende continuar a avançar com as reformas que considera necessárias para a economia alemã, defendendo que o país precisa de mudanças estruturais e que não existe um caminho de regresso.
A votação ocorre num momento particularmente difícil para o chanceler. Há apenas duas semanas, a AfD já tinha conseguido um resultado histórico nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt, onde obteve 43,8% dos votos, contra 17,2% da CDU.
AfD cresce também em Berlim
As eleições deste domingo decorreram simultaneamente em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e em Berlim, produzindo resultados distintos.
Na capital alemã, o partido Die Linke aparece em primeiro lugar nas primeiras projeções, com cerca de 25% a 26%, enquanto a CDU se situa nos 20%. A AfD surge em terceiro, com aproximadamente 14% a 16%, registando também uma subida significativa face às eleições anteriores.
Para a CDU, o resultado de Berlim significa a perda da liderança numa cidade-estado que governava. Para a AfD, por outro lado, o desempenho confirma a capacidade do partido para aumentar a sua votação mesmo num território tradicionalmente menos favorável à direita radical.
Um novo teste para o governo alemão
As duas eleições regionais constituem mais um teste para o governo federal liderado por Merz, que chegou ao poder prometendo reformas económicas e recuperação do crescimento.
Entre os temas que marcaram a campanha estiveram o custo da energia, a habitação, as reformas das pensões e a situação económica. A AfD também tem explorado o descontentamento com a política alemã de apoio à Ucrânia e com a política migratória. Estas questões foram apontadas por diferentes análises como fatores relevantes para o comportamento eleitoral, embora os resultados não possam ser atribuídos a uma única causa.
A estratégia dos principais partidos alemães de não formar coligações com a AfD — frequentemente descrita como “Brandmauer”, ou “muro de proteção” — volta também a estar sob pressão. Na Saxónia-Anhalt, onde a AfD venceu no início de setembro com 43,8%, o partido não conseguiu uma maioria absoluta e as restantes forças políticas mantiveram a rejeição de uma coligação com a formação.
O que acontece agora?
Apesar do revés eleitoral, Merz afirmou que pretende continuar como chanceler e manter o programa de reformas do seu governo. A dimensão da derrota, porém, aumenta a pressão política sobre a CDU e sobre a coligação federal entre os conservadores e o SPD.
Os resultados deste domingo reforçam, assim, uma tendência que se tornou particularmente evidente nas eleições regionais deste mês: a AfD consolidou a sua posição como uma das principais forças eleitorais da Alemanha, enquanto os partidos tradicionais enfrentam dificuldades para responder ao descontentamento em torno da economia, da imigração e das políticas do governo federal.
Os números citados nesta notícia são projeções e primeiras contagens divulgadas na noite de 20 de setembro de 2026, pelo que os resultados oficiais definitivos poderão sofrer pequenas alterações.



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