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Vila Verde anuncia 4 milhões para saneamento mas há casas sem água

Município pretende atingir 75% de cobertura de saneamento até 2029. Na Rua de Parada, em Barbudo, quatro habitações continuam à espera de água canalizada, saneamento e melhores condições de acesso. A rede pública de abastecimento de água termina a cerca de 300 metros das casas. O Município de Vila Verde prevê investir quatro milhões de…

Vila Verde anuncia 4 milhões para saneamento mas há casas sem água

Município pretende atingir 75% de cobertura de saneamento até 2029. Na Rua de Parada, em Barbudo, quatro habitações continuam à espera de água canalizada, saneamento e melhores condições de acesso. A rede pública de abastecimento de água termina a cerca de 300 metros das casas.

O Município de Vila Verde prevê investir quatro milhões de euros por ano no saneamento até 2029, com o objetivo de alcançar 75% de cobertura no concelho. O investimento foi anunciado na edição de novembro de 2026 do jornal O Vilaverdense, que destaca igualmente os projetos municipais na área ambiental e uma entrevista ao vereador Carlos Tiago Alves, responsável pelo pelouro do Ambiente.

Entre os projetos apresentados está a futura entrada em funcionamento do ecocentro, prevista para o primeiro trimestre de 2028.

No entanto, enquanto os anúncios de investimento apontam para uma aposta significativa nas infraestruturas ambientais, há situações no concelho que continuam por resolver. É o caso da Rua de Parada, na freguesia de Barbudo, onde quatro habitações permanecem sem acesso à rede pública de abastecimento de água e saneamento, apesar de a conduta de água terminar a cerca de 300 metros das residências.

Uma realidade que levanta questões sobre as prioridades, a distribuição dos investimentos e a capacidade de resposta às necessidades básicas de algumas populações.

Solução apresentada em setembro continua a levantar dúvidas

A situação da Rua de Parada já tinha sido noticiada pelo Semanário VOX, a 29 de setembro, numa publicação intitulada «Vereador de Vila Verde dá solução a moradora com camião que não passa na rua».

A notícia abordava as dúvidas manifestadas por uma moradora relativamente à solução de recolha móvel de efluentes apresentada pelo vereador Carlos Tiago Alves, durante a reunião de Câmara de 3 de setembro.

A proposta suscitou questões relacionadas com a própria viabilidade do serviço, uma vez que, segundo os moradores, a rua apresenta dificuldades de circulação e existem habitações às quais nem os veículos de emergência conseguem aceder diretamente.

A moradora questionou, por isso, de que forma poderia um camião de recolha de efluentes assegurar o serviço naquelas condições.

Foi igualmente levantada a questão da eventual faturação de um serviço de saneamento através dos serviços municipais a famílias que não dispõem sequer de ligação à rede pública de abastecimento de água.

Mais de um mês depois, o tema regressa à discussão pública, agora num contexto de anúncios de investimento municipal de vários milhões de euros.

75% de cobertura até 2029: que localidades vão ser abrangidas?

A meta anunciada pelo Município de Vila Verde coloca uma questão central: quais são, concretamente, as freguesias e habitações que vão beneficiar deste investimento?

Até ao momento, os moradores da Rua de Parada continuam sem respostas concretas sobre uma eventual extensão das redes públicas até às suas casas.

Quantos quilómetros de condutas serão construídos? Que freguesias terão prioridade? Existe um calendário de execução das obras? E que soluções estão previstas para as habitações que continuam sem acesso a infraestruturas básicas?

São questões que ganham particular relevância perante o anúncio de um investimento anual de quatro milhões de euros.

Para os residentes da Rua de Parada, a prioridade não passa por novas metas ou anúncios genéricos. Passa por ter água canalizada, acesso ao saneamento e condições de circulação dignas e seguras.

Investimento anunciado exige respostas concretas

O anúncio de um investimento desta dimensão torna ainda mais importante conhecer os critérios de distribuição das verbas, os projetos previstos e as populações que serão efetivamente abrangidas.

A meta de 75% de cobertura até 2029 representa um objetivo municipal, mas deixa também em aberto a situação dos restantes 25% da população que poderão continuar sem acesso à rede pública de saneamento.

No caso da Rua de Parada, os moradores aguardam uma solução que responda às necessidades reais de quem ali vive, numa altura em que o concelho anuncia milhões de euros para reforçar as infraestruturas ambientais.

O desenvolvimento de Vila Verde não se mede apenas pelos investimentos anunciados, pelos projetos apresentados ou pelas metas inscritas nas manchetes. Mede-se também pela capacidade de garantir que os serviços públicos essenciais chegam às populações que deles continuam privadas.

Na Rua de Parada, em Barbudo, a questão permanece por responder: se há milhões previstos para o saneamento, quando chegarão finalmente a água canalizada, o saneamento e as condições básicas de acesso a estas quatro habitações?

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