Praxes regressam às ruas e becos de Braga e Guimarães. Entre a tradição e a polémica, caloiros começam a viver a academia
As ruas de Braga e Guimarães voltam, por estes dias, a ganhar um dos sinais mais reconhecíveis do início do ano académico: grupos de estudantes, trajados ou vestidos a rigor para a ocasião, acompanham os novos alunos pelas ruas, entre cânticos, brincadeiras e os inevitáveis momentos de convívio.
Com a chegada dos novos estudantes à Universidade do Minho, regressam também as praxes. Uma tradição que continua a dividir opiniões, mas que para muitos estudantes representa uma das primeiras portas de entrada na vida académica.
O arranque do ano letivo 2026/2027 está a ser acompanhado por um programa oficial de acolhimento da UMinho. Em Braga e Guimarães, os novos alunos têm à disposição atividades promovidas pela universidade, pelas escolas e institutos e pela Associação Académica da Universidade do Minho (AAUMinho). Entre as iniciativas estão os chamados GPS por curso, destinados a ajudar os estudantes a conhecer os campi, os núcleos de estudantes e as duas cidades.
Em Guimarães, o acolhimento decorre também no campus de Azurém. Esta quinta-feira, por exemplo, a Escola de Engenharia recebe os novos estudantes de Engenharia Mecânica, Engenharia de Materiais e Engenharia Aeroespacial, com uma sessão de boas-vindas e atividades de integração.
Em Braga, o Campus de Gualtar também está a receber os novos alunos. O Instituto de Educação iniciou esta quinta-feira o seu programa de acolhimento, com participação dos núcleos de estudantes e dos embaixadores da Reitoria, estando ainda prevista uma receção pelo reitor e pelo presidente da AAUMinho no dia 16 de setembro.
É neste ambiente de chegada à universidade que a praxe volta a sair dos espaços académicos e a ocupar as ruas. Para muitos estudantes, é uma oportunidade para conhecer colegas, criar laços e começar a perceber as tradições de uma academia com uma identidade própria.
A própria UMinho tem, ao longo da sua história, associado algumas tradições académicas aos processos de integração dos novos estudantes. Registos históricos da universidade mostram, por exemplo, a realização de receções ao caloiro em Braga e Guimarães, com iniciativas que incluíam o chamado batismo da praxe, momentos culturais e convívios entre estudantes e comunidade.
Uma tradição que continua a gerar discussão
Mas o regresso das praxes traz também de volta uma discussão antiga: onde termina a tradição e começa o abuso?
A questão não é nova na Universidade do Minho. Há registos de episódios considerados excessivos e de apelos da própria instituição para que as práticas fossem realizadas dentro de limites e com respeito pela dignidade dos novos estudantes.
Mais recentemente, episódios polémicos voltaram a colocar a praxe minhota no centro da discussão pública. Em 2020, por exemplo, o regresso de praxes presenciais durante a pandemia provocou críticas e divergências entre estudantes, estruturas académicas e autoridades locais. A própria Associação Académica demarcou-se então da decisão do grupo responsável pela organização da praxe.
Também nesse período, a Universidade do Minho condenou comportamentos considerados incompatíveis com os seus princípios e valores, sublinhando que as atividades de praxe não deixam de estar sujeitas a esses princípios pelo facto de ocorrerem fora dos campi.
A polémica convive, contudo, com outra realidade. Para muitos antigos e atuais estudantes, a praxe é sobretudo uma forma de integração e uma maneira de criar relações que permanecem muito depois dos primeiros dias de universidade.
A importância desse contacto é visível também nas iniciativas de acolhimento promovidas atualmente pela UMinho, que procuram aproximar os novos alunos dos colegas, das estruturas académicas e das cidades onde vão estudar. Em 2025, cerca de 3000 novos estudantes participaram na primeira fase do programa de acolhimento da universidade.
Este ano, Braga e Guimarães voltam, assim, a receber uma nova geração de estudantes. Entre cânticos, brincadeiras, encontros e fotografias de grupo, a praxe regressa ao quotidiano das duas cidades. Com ela regressa também o debate sobre os seus limites.
Para uns, é tradição. Para outros, uma prática que deve ser constantemente escrutinada. Para os caloiros, é simplesmente o começo de uma nova etapa, numa universidade que tem duas cidades como palco e uma vida académica que se estende muito para lá das salas de aula.



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