O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Paulo Raimundo, afirmou esta quarta-feira, 4 de novembro, que o Governo e a atual maioria parlamentar devem ser derrotados “o mais depressa possível”, garantindo que os comunistas não receiam a realização de eleições antecipadas.
As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa na Assembleia da República, na sequência de uma questão sobre as críticas de Renata Cambra, porta-voz dos Trabalhadores Unidos (TU) e uma das figuras associadas aos protestos pelo direito à habitação.
Em entrevista à TSF, Renata Cambra tinha sugerido que já poderia ter sido convocada uma greve geral caso a direção do PCP não estivesse preocupada com as consequências eleitorais de uma eventual queda do Governo.
Em resposta, Paulo Raimundo rejeitou essa interpretação e reafirmou a posição do partido relativamente ao atual executivo.
«Esta política, este Governo e esta maioria na Assembleia da República não servem o país. É preciso derrotá-la o mais depressa possível», declarou o líder comunista.
Paulo Raimundo acrescentou que quem assume uma posição desta natureza não está preocupado com eventuais alterações ao calendário político ou com a possibilidade de eleições antecipadas.
«Quem diz isto, com a responsabilidade […] nós medimos as palavras e as vírgulas, quem diz isto não é alguém que propriamente esteja a temer alterações ou antecipações de calendários ou eleições», afirmou.
O secretário-geral do PCP chegou mesmo a ironizar que, caso o Governo e a atual maioria parlamentar fossem derrotados, «ontem já era tarde», tendo em conta a situação que o país atravessa e as perspetivas para o futuro.
Greve geral depende das centrais sindicais
Questionado sobre a possibilidade de convocação de uma greve geral, reivindicada por alguns setores dos movimentos de protesto, Paulo Raimundo recordou que essa decisão cabe às organizações sindicais.
«Quem convoca as greves gerais são as centrais sindicais», sublinhou.
O dirigente comunista lembrou ainda que a CGTP-IN já avançou com duas greves gerais durante este ano, em contestação ao pacote laboral apresentado pelo Governo.
Na mesma ocasião, destacou a manifestação nacional convocada pela CGTP para 21 de novembro, defendendo o reforço da participação dos trabalhadores.
Na perspetiva de Paulo Raimundo, quanto maior for a mobilização nessa iniciativa, maior será também a força das formas de luta que poderão surgir posteriormente.
PCP mantém críticas à política do Governo
As declarações surgem num contexto de crescente contestação política e social ao executivo liderado por Luís Montenegro, nomeadamente em torno das questões laborais, da habitação e da atuação das forças policiais durante recentes protestos.
Recorde-se que, no passado dia 1 de novembro, o PCP classificou o Governo como o «maior fator de instabilidade» do país e pediu a realização de um debate de urgência na Assembleia da República sobre a atuação policial em Lisboa e no Porto.
O partido tem igualmente apelado à mobilização dos trabalhadores, dos jovens e de outros setores da sociedade contra as políticas do executivo.
Com estas declarações, Paulo Raimundo volta a afastar a ideia de que o PCP esteja condicionado pelo receio de eleições antecipadas, reiterando que a prioridade do partido passa pela contestação à atual política governativa e pela mobilização social.



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