Diretor da PJ nega ter mentido em tribunal sobre escutas proibidas no caso Football Leaks
O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, rejeita ter mentido em tribunal sobre a realização de escutas não autorizadas no âmbito do processo Football Leaks, que envolveu o hacker Rui Pinto.
A polémica surge depois de ter sido apresentada uma denúncia ao Ministério Público na qual Carlos Cabreiro é apontado, juntamente com outros elementos da PJ, por alegados crimes de falsidade de testemunho e abuso de poder. Em causa está uma operação realizada durante a investigação ao caso Football Leaks, na qual terão sido utilizados meios de gravação de conversas sem autorização judicial.
Em tribunal, Carlos Cabreiro e outros inspetores da Judiciária terão garantido que não foram realizadas escutas ambientais. Contudo, segundo a denúncia, documentos internos da própria PJ poderão contradizer essa versão, levantando dúvidas sobre a forma como determinadas conversas foram captadas durante a investigação.
Perante estas acusações, o atual diretor nacional da PJ mantém as declarações que prestou perante o tribunal e nega ter faltado à verdade. A questão poderá agora ser analisada pelas autoridades competentes, que terão de determinar se existiram efetivamente gravações sem autorização judicial e se os depoimentos prestados em tribunal correspondem ao que consta da documentação interna.
O caso ganha particular relevância por envolver uma das investigações criminais mais mediáticas dos últimos anos em Portugal. O processo Football Leaks esteve na origem da investigação a Rui Pinto, cujas revelações expuseram milhares de documentos relacionados com clubes de futebol, empresas e entidades desportivas.
A controvérsia coloca também em causa procedimentos utilizados pela PJ durante a investigação e poderá ter consequências judiciais caso se confirme que foram utilizados meios de obtenção de prova fora dos limites legalmente autorizados.
A RTP confirmou esta quinta-feira que Carlos Cabreiro mantém a sua versão dos acontecimentos. A notícia surge num momento em que a atuação da PJ e dos seus responsáveis está novamente sob escrutínio público.
A própria ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, já afirmou recentemente que a polémica envolvendo a PJ não afetou a credibilidade da instituição, defendendo que os processos de averiguação necessários estão a ser cumpridos.
Para já, não existe uma conclusão judicial que determine que Carlos Cabreiro tenha mentido em tribunal. Está em causa uma denúncia e alegações que terão de ser investigadas e comprovadas pelas autoridades competentes.



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