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15 mulheres e crianças violadas em Ceuta em apenas duas semanas

15 mulheres e crianças denunciam agressões sexuais em Ceuta em apenas duas semanas Casos surgem no meio da crise migratória que deixou milhares de pessoas, incluindo menores, em situação de extrema vulnerabilidade. As autoridades investigam as denúncias e pelo menos duas pessoas foram detidas. Pelo menos 15 denúncias de agressões sexuais estão a ser investigadas…

15 mulheres e crianças violadas em Ceuta em apenas duas semanas

15 mulheres e crianças denunciam agressões sexuais em Ceuta em apenas duas semanas

Casos surgem no meio da crise migratória que deixou milhares de pessoas, incluindo menores, em situação de extrema vulnerabilidade. As autoridades investigam as denúncias e pelo menos duas pessoas foram detidas.

Pelo menos 15 denúncias de agressões sexuais estão a ser investigadas pelas autoridades em Ceuta, num período de apenas duas semanas, num dos episódios mais preocupantes da crise humanitária e migratória que atualmente afeta a cidade autónoma espanhola. Entre as vítimas estarão mulheres e crianças, incluindo uma menina de apenas 10 anos.

A informação sobre as 15 denúncias foi avançada por fontes policiais citadas por meios de comunicação espanhóis. Segundo essas informações, dois suspeitos foram detidos, tendo pelo menos um deles sido posteriormente deportado para Marrocos. As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias de cada caso e identificar os responsáveis.

O número de denúncias surge num contexto particularmente delicado. Desde a chegada massiva de migrantes no final de julho, milhares de pessoas permanecem em Ceuta, entre elas um número muito elevado de menores não acompanhados.

Meninas entre as principais vítimas

As organizações que acompanham a situação no terreno têm alertado repetidamente para a vulnerabilidade das meninas e adolescentes que chegaram sozinhas a Ceuta.

A Cadena SER já tinha noticiado, no início de agosto, que pelo menos seis menores migrantes não acompanhadas tinham denunciado agressões sexuais, incluindo alegadas tentativas de violação e casos em que existiriam sinais compatíveis com violação. Organizações sociais admitiam então que o número real poderia ser superior.

Mais recentemente, as autoridades começaram a transferir dezenas de meninas e adolescentes para instalações industriais adaptadas para acolhimento, depois de muitas terem permanecido em condições precárias. Segundo o El País, já tinham sido registadas pelo menos seis denúncias de agressão sexual entre estas menores.

A situação levou inclusive à criação de espaços exclusivamente destinados a meninas, precisamente para tentar reduzir os riscos de violência durante a noite. A Save the Children alertou para o medo e a vulnerabilidade de muitas destas menores, algumas das quais terão fugido dos seus países devido a situações de abuso, exploração ou outras formas de violência.

Uma crise que deixou milhares de menores sem proteção

A dimensão da crise é enorme. Organizações humanitárias estimam que milhares de menores possam estar fora do sistema oficial de proteção.

A Save the Children chegou a estimar que cerca de 4.000 menores migrantes estariam fora do sistema de proteção em Ceuta, enquanto apenas uma parte tinha sido oficialmente identificada e encaminhada para estruturas de acolhimento. A organização alerta particularmente para o risco de violência sexual, exploração e tráfico entre os menores mais vulneráveis.

As autoridades enfrentam, entretanto, uma grave falta de capacidade. O Governo de Espanha anunciou esta segunda-feira a criação de quatro espaços com capacidade para acolher cerca de 1.500 migrantes, enquanto centenas de menores começaram a ser transferidos para instalações adaptadas.

O silêncio em torno das vítimas

Por trás dos números estão mulheres e crianças que, muitas vezes, se encontram sem família, sem condições de segurança e sem uma rede de apoio.

É precisamente esta vulnerabilidade que torna as denúncias particularmente preocupantes. Muitas vítimas dependem das próprias estruturas de acolhimento e das autoridades para receber proteção, assistência médica e acompanhamento psicológico e judicial.

Num cenário marcado por uma enorme pressão migratória, falta de espaços de acolhimento e milhares de pessoas a viverem em condições precárias, as denúncias de violência sexual acrescentam uma dimensão ainda mais grave à crise de Ceuta.

As autoridades espanholas terão agora de garantir que cada denúncia é investigada e que as vítimas, sobretudo quando são menores, recebem proteção adequada. Para além da discussão política sobre migração e segurança, permanece uma questão essencial: quem protege estas mulheres e crianças quando são precisamente as mais vulneráveis que acabam expostas à violência?

As autoridades continuam a investigar os casos e, até ao momento, as denúncias não significam que todos os crimes estejam judicialmente confirmados.

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