Manuel Tibo defende passagem da Volta a Portugal pelo Gerês e apela a “presença em grande número”
O presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro e da ATAHCA, Manuel Tibo, veio a público defender a passagem da Volta a Portugal pela Mata de Albergaria, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, numa altura em que a realização da 7.ª etapa tem sido alvo de contestação por parte de organizações ambientalistas.
Numa mensagem publicada nas redes sociais, Manuel Tibo afirma que Terras de Bouro deve defender simultaneamente o Parque Nacional, a natureza e o direito das populações locais a viverem e a promoverem o território.
“Terras de Bouro é povo de montanha. Povo de trabalho, de tradição e de respeito pela nossa casa: o Parque Nacional da Peneda-Gerês”, escreve o autarca.
Para Manuel Tibo, a passagem da prova pela estrada que atravessa a Mata de Albergaria e liga Portugal a Espanha representa muito mais do que uma etapa de uma competição desportiva. O presidente da Câmara considera que a iniciativa constitui uma oportunidade para afirmar Terras de Bouro e mostrar a região ao país e ao exterior.
“A Volta a Portugal não é ‘só uma etapa’”, defende, considerando que a passagem pela estrada que atravessa a Mata da Albergaria representa “a afirmação de um povo” e a ligação da fronteira do distrito de Braga ao mundo.
Autarca apela à presença da população
Manuel Tibo reconhece a importância da proteção ambiental, mas defende que a utilização responsável do território deve ser compatível com a promoção da região.
“O que está aqui em causa é muito maior do que ciclismo. É dizer que existimos. É dizer que o Gerês é de todos e para todos, com respeito e responsabilidade”, afirma.
Perante a polémica em torno da etapa, o autarca apela à população para que marque presença em força durante a passagem da Volta a Portugal, embora sublinhe a necessidade de manter uma atitude pacífica.
“Queremos muito que tudo corra bem. Queremos mesmo. E para isso, apelo a que marquemos presença em grande número. Pacíficos, sempre! Brandos nunca!”, escreveu.
Ambientalistas contestam passagem pela Mata de Albergaria
A posição de Manuel Tibo surge num contexto de crescente polémica em torno da passagem da 7.ª etapa da Volta a Portugal pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, prevista para 13 de agosto, entre Vieira do Minho e as Termas do Gerês.
A etapa atravessa zonas classificadas do único Parque Nacional português, incluindo a Mata de Albergaria, uma área de elevada sensibilidade ecológica. A Liga para a Proteção da Natureza (LPN) considera o percurso “inaceitável” e defende que deve ser alterado para evitar áreas sensíveis.
Também a Quercus contestou a autorização para a passagem da prova na Mata de Albergaria, alertando para um possível “grave precedente”. A associação considera que as medidas de proteção anunciadas pelo ICNF podem reduzir alguns impactos, mas não eliminam as preocupações relacionadas com a realização de um evento desta dimensão numa zona ecologicamente sensível.
A polémica levou ainda o Bloco de Esquerda a pedir esclarecimentos ao Governo sobre o parecer do ICNF e sobre as medidas previstas para proteger a área durante a passagem da prova.
O percurso da etapa foi definido para atravessar a zona do Gerês, passando pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, antes de subir à Portela de Leonte e atravessar a Mata de Albergaria até à Portela do Homem.
Enquanto os ambientalistas defendem a proteção das áreas mais sensíveis do Parque, Manuel Tibo assume uma posição de defesa da passagem da prova, colocando a tónica na valorização do território, na população local e na afirmação de Terras de Bouro.
O presidente da Câmara termina a sua mensagem com uma declaração de forte carácter pessoal: “Jamais serei anónimo. Jamais!”



Deixe um comentário
Tem de iniciar a sessão para publicar um comentário.