O Governo aprovou uma nova descida do IRS até ao sexto escalão. A medida terá efeitos retroativos a janeiro e deverá começar a sentir-se no salário de novembro e no subsídio de Natal. As novas tabelas de retenção ainda não são conhecidas, mas já existem simulações que permitem perceber quanto poderá ficar na carteira dos contribuintes.
Os portugueses vão ter mais um alívio no IRS em 2026. O Governo aprovou uma nova redução das taxas do imposto sobre o rendimento até ao sexto escalão, numa medida que representa um impacto de cerca de 400 milhões de euros e deverá abranger mais de 2,9 milhões de agregados familiares.
A redução terá efeitos sobre os rendimentos de todo o ano de 2026, mas o impacto no salário deverá ser sentido sobretudo a partir de novembro, através das novas tabelas de retenção na fonte. O subsídio de Natal também será abrangido.
Quanto baixa o IRS?
A proposta prevê uma redução das taxas entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais, abrangendo os seis primeiros escalões.
Escalão| Redução da taxa normal
1.º| 0,3 pontos percentuais
2.º| 0,5 pontos percentuais
3.º| 0,5 pontos percentuais
4.º| 0,5 pontos percentuais
5.º| 0,5 pontos percentuais
6.º| 0,3 pontos percentuais
7.º a 9.º| Sem alteração direta
Apesar de os três escalões superiores não terem uma redução direta da taxa, os contribuintes com rendimentos nesses níveis também podem beneficiar do efeito da progressividade do IRS.
Quanto pode poupar quem ganha 1.000 euros?
Segundo as simulações divulgadas pelo Ministério das Finanças, um trabalhador solteiro e sem filhos com um salário bruto mensal de 1.000 euros terá um benefício anual estimado de 12,10 euros.
Isto corresponde a uma média de cerca de 1 euro por mês, embora o valor não seja necessariamente recebido dessa forma ao longo dos 12 meses, uma vez que a redução só será refletida nas retenções na fonte nos últimos meses do ano.
E quem ganha 2.000, 2.500 ou 4.000 euros?
As simulações disponíveis permitem ter uma ideia mais clara do impacto para diferentes salários.
Salário bruto mensal| Benefício anual estimado| Média mensal equivalente*
1.000 €| 12,10 €| 1,01 €
1.500 €| 65,38 €| 5,45 €
2.000 €| 100,44 €| 8,37 €
2.500 €| 133,35 €| 11,11 €
4.000 €| 171,38 €| 14,28 €
*A média mensal é apenas uma forma de repartir o benefício anual por 12 meses. Não significa que o trabalhador vá receber exatamente esse valor adicional todos os meses. O impacto efetivo nas remunerações de novembro, dezembro e no subsídio de Natal dependerá das novas tabelas de retenção.
As simulações da EY divulgadas pelo ECO apontam, por exemplo, para um aumento do rendimento líquido anual de 65,38 euros para um solteiro sem filhos que ganhe 1.500 euros brutos, 133,35 euros para quem ganhe 2.500 euros e 171,38 euros para um salário de 4.000 euros.
O dinheiro chega todo de uma vez?
Não necessariamente.
A nova redução tem efeitos retroativos a janeiro de 2026, mas o Governo indicou que será refletida nas retenções na fonte a partir de novembro. Na prática, isso significa que o alívio relativo aos meses anteriores será incorporado no cálculo das retenções dos últimos meses do ano.
É precisamente por isso que o valor que cada trabalhador verá no recibo de vencimento poderá ser bastante diferente da simples divisão do benefício anual por 12.
Novas tabelas ainda não foram divulgadas
Este é o ponto essencial para quem quer saber quanto vai efetivamente receber a mais no próximo salário.
As tabelas de retenção na fonte atualmente em vigor para 2026 foram aprovadas em janeiro. Essas tabelas já incorporavam as alterações previstas no Orçamento do Estado, incluindo a atualização dos escalões, o aumento do mínimo de existência para 12.880 euros e a subida do salário mínimo para 920 euros.
As novas tabelas, que vão traduzir a redução agora aprovada para os recibos de vencimento, ainda terão de ser publicadas.
Por isso, não é ainda possível dizer, com rigor, que um trabalhador com determinado salário vai receber exatamente X euros adicionais por mês. Essa informação só ficará fechada quando forem conhecidas as novas taxas de retenção.
Quem recebe o salário mínimo continua sem retenção de IRS
Os trabalhadores que recebem o salário mínimo nacional, atualmente fixado em 920 euros, já beneficiam de uma taxa de retenção na fonte de 0% em 2026.
As tabelas aprovadas em janeiro estabeleceram a isenção de retenção até esse valor, refletindo também a atualização do mínimo de existência.
E os pensionistas?
A redução também terá impacto nos pensionistas abrangidos pelas tabelas de retenção.
Nas simulações divulgadas pelo Ministério das Finanças, um pensionista sem dependentes com uma pensão mensal de 1.000 euros terá um benefício anual estimado de 12,10 euros. Para uma pensão de 3.500 euros, a estimativa sobe para 171,50 euros por ano.
É importante distinguir esta redução do IRS do suplemento extraordinário de pensão também aprovado pelo Governo. Esse apoio é uma medida diferente e será pago uma única vez em dezembro aos pensionistas abrangidos, com valores de 100, 150 ou 200 euros consoante o montante da pensão.
O que muda afinal no bolso dos portugueses?
A principal alteração é uma redução do imposto efetivamente devido em 2026. No entanto, o valor que aparecerá mensalmente no recibo depende da situação fiscal de cada contribuinte: salário ou pensão, estado civil, número de titulares e dependentes, entre outros fatores.
Além disso, mais dinheiro no salário líquido não significa necessariamente um aumento salarial. Trata-se de uma redução do imposto retido pelo Estado.
O acerto definitivo continuará a ser feito através da declaração anual de IRS. É nesse momento que a Autoridade Tributária compara o imposto efetivamente devido com aquilo que foi retido ao longo do ano, podendo resultar num reembolso ou num valor adicional a pagar.
Em resumo
A nova descida do IRS:
– reduz as taxas entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais até ao 6.º escalão;
– representa um alívio fiscal estimado em 400 milhões de euros;
– abrange mais de 2,9 milhões de agregados familiares;
– tem efeitos sobre os rendimentos de 2026 desde janeiro;
– deverá começar a refletir-se nas retenções a partir de novembro;
– também terá impacto no subsídio de Natal;
– e deverá beneficiar tanto trabalhadores como pensionistas.
Quanto cada pessoa vai efetivamente receber a mais por mês ainda não está fechado. As novas tabelas de retenção na fonte serão determinantes para saber quanto será devolvido através dos salários de novembro e dezembro e do subsídio de Natal.



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