A moção de censura apresentada esta quarta-feira pelo Chega contra o Governo de Luís Montenegro está a provocar críticas à esquerda. Livre e Bloco de Esquerda consideram que a iniciativa de André Ventura não coloca no centro os problemas que, na sua perspetiva, justificariam uma censura ao Executivo.
A iniciativa do Chega surge na sequência da polémica em torno de Luís Neves, ministro da Administração Interna, e da contestação à sua permanência no Governo. André Ventura tinha anunciado que avançaria com uma moção de censura caso o primeiro-ministro não resolvesse a situação.
No caso do Bloco de Esquerda, o coordenador nacional, José Manuel Pureza, reconhece que Luís Neves “se tem tornado um agente de confusão”, mas considera que a moção apresentada pelo Chega falha no essencial.
Para o dirigente bloquista, o Governo deveria ser censurado por questões como o aumento do preço das casas, dos alimentos e dos combustíveis, bem como pela perda de poder de compra dos salários e das pensões.
“Esta moção de censura é, pura e simplesmente, o instrumento de um campeonato entre o Chega e os outros partidos da direita”, afirmou Pureza, numa referência à disputa política pela liderança do espaço da direita.
O Livre adotou uma posição igualmente crítica. A líder parlamentar, Isabel Mendes Lopes, classificou a iniciativa como mais um “episódio de folclore”, acusando o Chega de procurar aproveitar a polémica para ocupar o espaço mediático.
A deputada lembrou ainda que Luís Neves está convocado para ser ouvido no Parlamento a 8 de setembro, considerando que a apresentação da moção nesta altura acaba por alterar o calendário parlamentar e antecipar o debate para 7 de setembro.
Isabel Mendes Lopes deixou também claro que a decisão final sobre o sentido de voto do Livre ainda terá de ser tomada internamente, embora tenha sublinhado que o partido nunca votou favoravelmente uma moção de censura apresentada pelo Chega.
PSD fala em “derrota parlamentar pré-anunciada”
Também o PSD criticou a iniciativa de André Ventura. O porta-voz social-democrata, Sebastião Bugalho, afirmou não compreender a apresentação da moção antes de estar concluída a comissão parlamentar de inquérito relacionada com Luís Neves.
Para Bugalho, trata-se de uma “derrota parlamentar pré-anunciada”, acusando Ventura de querer “antecipar a sentença antes de fazer perguntas”.
A moção coloca assim o Governo perante um novo momento de tensão parlamentar, mas as primeiras reações indicam que o Chega terá dificuldades em reunir apoios à esquerda. O debate deverá decorrer na Assembleia da República na próxima segunda-feira, 7 de setembro, estando também prevista a audição de Luís Neves no dia seguinte.



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