Bugalho desvaloriza ameaça de Ventura: “Enfraquecer o Governo? Acho muito difícil”
A ameaça de André Ventura de apresentar uma moção de censura ao Governo, caso o primeiro-ministro Luís Montenegro não resolva a situação do ministro da Administração Interna, Luís Neves, foi desvalorizada pelo porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho.
Questionado sobre se a ameaça do Chega poderia enfraquecer o Executivo, Bugalho foi perentório: “Enfraquecer o Governo uma ameaça? Acho muito difícil.” As declarações foram feitas esta sexta-feira, à margem da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide.
O dirigente social-democrata rejeitou também que a posição de Ventura constitua um ultimato ao primeiro-ministro. Bugalho afirmou que “André Ventura é que tem que se estabilizar e dizer algo consistente sobre isso”, acrescentando que, para o PSD, as medidas concretas do Governo são mais importantes do que as ameaças políticas do líder do Chega.
Ventura coloca pressão sobre Montenegro
As declarações de Bugalho surgem poucas horas depois de André Ventura ter anunciado que o Chega poderá avançar com uma moção de censura na terça-feira, 1 de setembro, caso Luís Neves permaneça no cargo de ministro da Administração Interna.
O líder do Chega considera que o ministro já não reúne condições para continuar no Governo e acusa o primeiro-ministro de não estar a assumir uma posição suficientemente firme perante a situação. Ventura garante, contudo, que não pretende provocar uma crise política e espera que o caso seja resolvido antes de o partido avançar para a censura parlamentar.
A ameaça está relacionada com as polémicas que envolvem a passagem de Luís Neves pela liderança da Polícia Judiciária e com alegadas irregularidades que o Chega pretende continuar a investigar através de uma comissão parlamentar de inquérito. O partido já deixou claro que a eventual saída do ministro não significaria o fim da CPI.
PS mantém distância
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, optou por não comentar diretamente a ameaça de moção de censura. Questionado sobre o assunto, preferiu centrar as declarações em investimentos e projetos para o interior do país.
Para já, o PSD procura assim retirar dimensão à ameaça do Chega, enquanto Ventura aumenta a pressão sobre Luís Montenegro. A próxima terça-feira poderá ser decisiva para perceber se a ameaça se transforma efetivamente numa moção de censura ou se o Governo encontra entretanto uma solução para o caso de Luís Neves.



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