O CHEGA voltou a dirigir críticas ao Governo liderado por Luís Montenegro, acusando o primeiro-ministro de governar «de costas voltadas para os portugueses».
Numa publicação divulgada esta quinta-feira, o partido liderado por André Ventura afirma que «Portugal precisa de um Governo que trabalhe para os portugueses, não que se esqueça deles», numa mensagem de forte contestação à atuação do Executivo.
A posição surge num momento de crescente confronto político entre o Governo e os partidos da oposição. O Executivo de Montenegro não dispõe de maioria absoluta e tem enfrentado dificuldades para aprovar algumas das suas principais reformas, sendo obrigado a negociar diploma a diploma no Parlamento.
As críticas do CHEGA contrastam com a avaliação feita pelo próprio primeiro-ministro. No passado dia 12 de agosto, Montenegro rejeitou que as últimas semanas tenham sido particularmente conturbadas e afirmou que o Governo «trabalha todos os dias, 24 horas por dia, sete dias por semana», defendendo que existem «muitos resultados» da ação governativa.
Na Festa do Pontal, realizada no Algarve, Montenegro apresentou algumas das prioridades do Executivo e anunciou que, caso exista margem orçamental, pretende continuar a reduzir o IRS e a valorizar as pensões mais baixas. O primeiro-ministro anunciou também a extensão do passe ferroviário verde aos transportes urbanos de Lisboa e Porto e destacou a entrega de mais de 28 mil habitações através do PRR.
O CHEGA, por seu lado, tem mantido uma postura de pressão sobre o Governo. Nas negociações relativas ao pacote laboral, o partido afirmou estar disponível para negociar alterações, mas exigiu mudanças substanciais à proposta inicialmente apresentada pelo Executivo.
A tensão entre os dois partidos tem sido igualmente evidente no debate político. Em julho, durante o debate do Estado da Nação, Montenegro acusou CHEGA e PS de contribuírem para impedir uma nova descida do IRS, enquanto André Ventura desafiou o primeiro-ministro a apresentar uma moção de confiança.
Com a rentrée política em curso e o regresso dos trabalhos parlamentares marcado para setembro, o confronto entre Governo e oposição deverá voltar a intensificar-se nas próximas semanas.



Deixe um comentário
Tem de iniciar a sessão para publicar um comentário.