SNS gastou 135,6 milhões de euros em exames de radiologia nos privados e Misericórdias
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastou 135,6 milhões de euros com exames de radiologia realizados através do setor convencionado durante 2025, um aumento de 3,2% face ao ano anterior, segundo dados divulgados pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
A radiologia foi a quarta área convencionada com maior peso na despesa do SNS, refletindo a importância destes exames no diagnóstico e acompanhamento clínico dos utentes.
O aumento dos encargos verificou-se sobretudo nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, onde a despesa cresceu 4,8%, seguindo-se o Norte (3,7%) e o Centro (2,5%). Em sentido inverso, os gastos diminuíram 8,2% no Alentejo e 1,1% no Algarve.
Norte concentra a maior fatia da despesa
A região Norte foi a que registou o maior volume de encargos, com 54,1 milhões de euros, seguida de Lisboa e Vale do Tejo, que totalizou 45,9 milhões de euros. Em conjunto, estas duas regiões representaram 73,8% da despesa total do SNS com exames de radiologia convencionados em Portugal continental.
Quando analisada a despesa por mil habitantes, o Centro apresentou o valor mais elevado, com 15.265 euros, seguido do Norte, com 14.679 euros, ambos acima da média nacional.
Maioria da oferta pertence ao setor privado
No início de 2026, encontravam-se registados 795 estabelecimentos com atividade na área da radiologia, mais 11% do que em 2024. Destes, 670 unidades, correspondentes a 84,3%, pertenciam aos setores privado, cooperativo ou social.
Apesar deste crescimento, apenas 48,1% da oferta não pública tinha convenção com o SNS.
A ERS identificou ainda 154 concelhos sem qualquer oferta convencionada de radiologia, onde residem 15,4% da população de Portugal continental.
Deslocações podem chegar a quase duas horas
Nos municípios sem resposta convencionada, o tempo mínimo estimado de deslocação até ao concelho mais próximo com este serviço varia significativamente.
Enquanto na região de Lisboa e Vale do Tejo a viagem pode demorar cerca de 13 minutos, no Alentejo poderá aproximar-se das duas horas.
Em 49 concelhos, a deslocação necessária ultrapassa os 45 minutos, afetando cerca de 3,7% da população residente em Portugal continental.
Menos requisições, apesar da subida da despesa
Embora os encargos do SNS tenham aumentado, o número de exames prescritos registou uma diminuição.
Em 2025 foram contabilizadas 427 requisições por cada mil habitantes, menos 4,8% do que no ano anterior.
Segundo a ERS, 27,7% dos operadores concentraram 80,1% das requisições aceites, embora o regulador considere que o mercado mantém um nível reduzido de concentração a nível nacional.
A única exceção continua a ser o Algarve, que permanece como a única região com um nível de concentração considerado elevado, apesar de este indicador ter diminuído face ao ano anterior.