A Polícia Judiciária (PJ) deteve dois homens, de 38 e 40 anos, suspeitos de integrarem um esquema de fraude informática que terá causado prejuízos na ordem dos 100 mil euros ao longo de cerca de dois anos, recorrendo ao roubo de dados bancários e ao branqueamento de capitais através de plataformas de jogo online.
Em comunicado, a PJ revelou que a operação foi conduzida pela Unidade Nacional de Combate à Cibercriminalidade e Criminalidade Tecnológica, culminando na detenção dos dois suspeitos por alegados crimes de abuso de cartão ou de dados de pagamento, falsidade informática, aquisição de dispositivos de pagamento obtidos por meios ilícitos, acesso ilegítimo e branqueamento de capitais.
Segundo a investigação, os arguidos utilizavam a técnica conhecida como “smishing”, enviando mensagens SMS fraudulentas que aparentavam ter origem em instituições bancárias. As mensagens continham ligações para páginas falsas, concebidas para imitar os sites oficiais dos bancos.
Ao acederem a essas páginas e introduzirem os respetivos dados de acesso, as vítimas acabavam por entregar as suas credenciais aos burlões sem se aperceberem.
Na posse dessa informação, os suspeitos contactavam telefonicamente as vítimas, identificando-se como funcionários bancários e alegando terem detetado movimentos suspeitos nas contas. Durante a chamada, solicitavam a validação de operações, levando as vítimas a fornecer os códigos de autenticação enviados pelos próprios bancos.
Depois de ultrapassarem os mecanismos de segurança, os suspeitos realizavam pagamentos, compras e transferências com os cartões bancários das vítimas.
De acordo com a Polícia Judiciária, o dinheiro obtido era posteriormente canalizado para plataformas de jogo online, onde eram efetuadas apostas de baixo risco. Os montantes eram depois transferidos para contas bancárias associadas a essas plataformas, numa tentativa de ocultar a origem ilícita dos fundos.
A investigação permitiu ainda identificar outras pessoas envolvidas no esquema, que foram constituídas arguidas, embora a PJ não tenha revelado quantos elementos integram o grupo.
Os dois detidos serão presentes esta terça-feira ao Tribunal de Instrução Criminal de Loures, onde serão ouvidos em primeiro interrogatório judicial e ficarão a conhecer as medidas de coação. O inquérito é dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Loures.



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