Líder do Chega considera que uma minoria de manifestantes provocou deliberadamente as autoridades. André Ventura defende a atuação da PSP, critica o PS e acusa Luís Montenegro de não dar a cara perante a crise habitacional.
O presidente do Chega, André Ventura, defendeu este domingo, 25 de outubro, a intervenção policial nas manifestações pelo direito à habitação realizadas em Lisboa e no Porto, acusando uma minoria de participantes de provocar deliberadamente as forças de segurança.
«Uma minoria, sobretudo infiltrados pela extrema-esquerda e por alguns arruaceiros internacionais e nacionais, estavam a provocar deliberadamente, de forma intencional, as autoridades para que este momento chegasse», afirmou o dirigente, numa declaração em vídeo enviada às redações.
Ventura considerou que a intervenção policial durante a madrugada era inevitável e sustentou que as autoridades tinham de agir para restabelecer a ordem pública.
«A polícia não tinha outro caminho se não fazer o que fez, repor a legalidade e repor a ordem», declarou.
Ventura coloca-se ao lado da PSP
O líder do Chega afirmou que os centros urbanos não podem ficar sujeitos àquilo que classificou como desobediência de um grupo minoritário de «vândalos e provocadores».
Na sua perspetiva, as forças de segurança tentaram recorrer ao diálogo antes de avançarem para a intervenção, pelo que a atuação policial não poderia deixar de acontecer.
«Este é um daqueles momentos em que as autoridades não se podiam nem deviam acobardar, em que o Estado não podia nem devia acobardar», afirmou.
André Ventura declarou ainda que o Chega está «incondicionalmente ao lado» das autoridades, elogiando os agentes envolvidos nas operações de reposição da ordem pública.
As declarações surgem depois de a PSP ter intervindo nas concentrações e acampamentos pela habitação em Lisboa e no Porto, na sequência de momentos de tensão que culminaram na dispersão dos manifestantes.
Onze feridos e 31 detidos
Segundo os dados divulgados pela PSP e citados pelo Notícias ao Minuto, as operações nas duas cidades resultaram em 11 feridos e 31 detenções por desobediência: 25 em Lisboa e seis no Porto.
As autoridades indicaram também a remoção e apreensão de 171 tendas e estruturas de acampamento, das quais 117 na capital e 54 na cidade do Porto.
Os números relativos aos feridos foram contestados pelas organizações dos manifestantes, que avançaram com um balanço de 57 pessoas feridas nas duas cidades.
As intervenções ocorreram depois das 00h30, hora até à qual as concentrações estavam autorizadas, tendo a intervenção policial de maior dimensão acontecido já durante a madrugada.
Os diferentes balanços mostram que subsistem divergências entre as autoridades e os organizadores quanto à dimensão das consequências das operações.
Críticas ao PS e ao primeiro-ministro
Além de defender a atuação policial, André Ventura dirigiu críticas aos partidos que condenaram a intervenção, apontando em particular o Partido Socialista.
O presidente do Chega acusou esses partidos de se colocarem ao lado de quem, na sua perspetiva, desrespeitou a lei e provocou as autoridades, considerando que essa posição prejudica a democracia, as instituições e a segurança.
Ventura voltou também a criticar o primeiro-ministro, Luís Montenegro, pela ausência de declarações públicas sobre os acontecimentos e pela resposta do Governo à crise da habitação.
«Onde é que anda o nosso primeiro-ministro?», questionou, acusando Montenegro de não assumir a liderança política num momento que considera particularmente difícil para o país.
O dirigente defendeu que a habitação deve ser uma prioridade nacional e insistiu na necessidade de medidas concretas para responder ao aumento das rendas, ao custo das casas e às dificuldades sentidas pelas famílias.
Crise da habitação no centro do conflito
Apesar de condenar os comportamentos que atribui a uma parte dos manifestantes, André Ventura reconheceu que as dificuldades de acesso à habitação constituem um problema que afeta uma parte significativa da população.
O líder do Chega afirmou que o partido pretende trabalhar no Parlamento para apresentar soluções, incluindo medidas destinadas a limitar o aumento das rendas e a apoiar quem enfrenta dificuldades em pagar a habitação.
A posição de Ventura procura, assim, separar as reivindicações relacionadas com o acesso à habitação dos comportamentos que atribui aos participantes envolvidos nos confrontos.
Contudo, as acusações de infiltração e provocação deliberada por parte de grupos ligados à extrema-esquerda correspondem à interpretação apresentada pelo dirigente do Chega e não devem ser confundidas com factos judicialmente comprovados.
O caso mantém em aberto o debate sobre os limites da intervenção policial, o direito à manifestação e a resposta política à crise da habitação em Portugal.



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