“Burros, fanáticos e malucos”: sondagem incendeia debate sobre eleitores do Chega
Uma sondagem ICS/ISCTE/GfK Metris, publicada pelo Expresso e noticiada pelo Observador, conclui que os apoiantes do Chega são os eleitores mais associados a expressões negativas pelos simpatizantes das restantes forças políticas. Segundo dados citados pela Executive Digest e pelo ZAP, 46% das respostas sobre os apoiantes do partido tiveram valência negativa e mais de 40% dos inquiridos dizem vê-los como uma “ameaça” real ou moral.
Entre as palavras referidas pelos inquiridos surgem termos ligados ao extremismo, como “fanáticos”, “fascistas” e “racistas”, mas também expressões de desqualificação pessoal ou moral, como “burros”, “malucos”, “corruptos”, “ladrões” e “mentirosos”. De acordo com a mesma sondagem, estes dois grupos de respostas representam, em conjunto, 41% das caracterizações feitas aos simpatizantes do partido liderado por André Ventura.
O PCP aparece como o segundo partido cujos apoiantes são mais associados a avaliações negativas, mas a uma distância significativa do Chega. Já os apoiantes do PS são os únicos a obter uma avaliação média positiva, segundo o resumo divulgado pelo ZAP.
A Folha Nacional, jornal ligado ao Chega, reagiu criticando o estudo e acusando a SIC e o Expresso de terem financiado uma sondagem que, na sua leitura, serviu para apresentar os apoiantes do partido como “burros”, “fanáticos” e “malucos”. O jornal afirma que o estudo contribui para a estigmatização dos eleitores do Chega e destaca que estes surgem como “o grupo político mais estigmatizado do país”.
A divulgação dos dados reacende o debate sobre polarização política em Portugal, num contexto em que o Chega continua a ter forte peso eleitoral, mas em que os seus apoiantes surgem, segundo esta sondagem, como alvo de perceções particularmente negativas por parte de outros eleitorados.