Doentes à espera, equipamentos avariados e promessas falhadas: saúde em Braga volta ao Parlamento

Os deputados socialistas eleitos pelo círculo de Braga, Hernâni Loureiro e Irene Costa, questionaram a Ministra da Saúde sobre o avanço do projeto do novo Hospital de Barcelos e sobre os problemas reportados na Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, durante uma audição regimental realizada na Assembleia da República na passada semana.

No que respeita ao Hospital de Barcelos, Hernâni Loureiro recordou que os concelhos de Barcelos e Esposende aguardam há mais de duas décadas pela construção de uma nova unidade hospitalar, destinada a servir mais de 150 mil habitantes.

O deputado criticou a sucessão de promessas e atrasos no processo, lembrando que o concurso para a elaboração do projeto do novo hospital, anunciado pelo Governo em junho de 2025, acabou por ser cancelado poucos meses depois. Referiu ainda declarações da ministra feitas em janeiro deste ano, durante uma visita a Barcelos, nas quais considerou 2026 um ano decisivo para o avanço da infraestrutura.

Perante a ausência de financiamento inscrito no Orçamento do Estado e a indefinição do processo, Hernâni Loureiro pediu esclarecimentos sobre o estado da contratação do projeto, o modelo de gestão previsto para a futura unidade e uma data concreta para o arranque da obra.

“Existe uma data assumida pelo Governo para o início da obra? Não uma previsão, não uma intenção, uma data, um compromisso formal com financiamento inscrito e procedimento ativo?”, questionou.

Já Irene Costa centrou a sua intervenção na situação da ULS de Braga, apontando um clima de crescente tensão entre administração, profissionais de saúde e utentes.

A deputada referiu as críticas públicas relacionadas com atrasos em consultas, exames e cirurgias, bem como notícias sobre dificuldades de acesso a medicamentos por parte de doentes oncológicos e problemas com equipamentos avariados.

Durante a audição, Irene Costa destacou ainda os sucessivos alertas lançados pela Comissão de Trabalhadores, as críticas dos médicos através de uma carta aberta, o pedido de demissão do Conselho de Administração por parte da Comissão de Utentes e a queixa apresentada pelo próprio Conselho de Administração contra esta estrutura representativa dos utentes.

Para a parlamentar socialista, o atual clima de desconfiança resulta de opções políticas que fragilizaram o modelo das Unidades Locais de Saúde e enfraqueceram as lideranças do setor.

Irene Costa defendeu a necessidade de uma resposta concreta por parte do Governo que permita garantir o normal funcionamento da ULS de Braga e assegurar uma adequada prestação de cuidados de saúde às populações abrangidas.

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