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Reclusos recebem 3,10 euros por hora para construir presépio em Braga

Mais de 80 reclusos já passaram pelo projeto de construção do Presépio ao Vivo de Priscos, em Braga, numa iniciativa de reinserção social que lhes permite trabalhar fora da cadeia, aprender profissões e preparar o regresso à sociedade. Atualmente, dois homens do Estabelecimento Prisional de Braga estão envolvidos nos trabalhos, recebendo 3,10 euros por hora.…

Reclusos recebem 3,10 euros por hora para construir presépio em Braga

Mais de 80 reclusos já passaram pelo projeto de construção do Presépio ao Vivo de Priscos, em Braga, numa iniciativa de reinserção social que lhes permite trabalhar fora da cadeia, aprender profissões e preparar o regresso à sociedade. Atualmente, dois homens do Estabelecimento Prisional de Braga estão envolvidos nos trabalhos, recebendo 3,10 euros por hora.

A informação é avançada pelo jornal O MINHO, numa notícia da agência Lusa publicada esta quarta-feira, 4 de novembro. O projeto funciona desde 2015 e permite aos reclusos trabalhar em regime aberto na construção e manutenção daquele que é apresentado como o maior presépio ao vivo da Europa.

Cada trabalhador recebe 24,79 euros por dia, tem direito a uma refeição e beneficia de transporte assegurado pelos Transportes Urbanos de Braga (TUB). Todos os custos associados à iniciativa são suportados pela Fábrica da Igreja da Paróquia de Priscos.

Ao longo dos últimos 11 anos, mais de 80 homens participaram neste projeto, sem que tenha sido registado qualquer incidente. Para o padre João Torres, pároco de Priscos e capelão do Estabelecimento Prisional de Braga, este resultado demonstra que a confiança, quando acompanhada de orientação e oportunidades de trabalho, pode contribuir para combater a exclusão e reduzir a reincidência criminal.

Os reclusos desempenham diferentes tarefas, nomeadamente carpintaria, jardinagem, serralharia, manutenção e construção. Além da aprendizagem de competências profissionais, o trabalho procura desenvolver hábitos fundamentais para uma futura integração no mercado laboral, como a pontualidade, a disciplina e o sentido de responsabilidade.

Trabalho fora da prisão com autorização judicial

Segundo a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), os participantes estão abrangidos pelo Regime Aberto para o Exterior, uma modalidade que depende de homologação pelo juiz do Tribunal de Execução de Penas.

A entidade considera que a participação em atividades laborais e formativas realizadas em contexto comunitário é importante para a futura reintegração social de pessoas que cumpriram penas de prisão.

A iniciativa nasceu de um acordo entre a DGRSP e a Paróquia de São Tiago de Priscos, contando também com a colaboração do Município de Braga, que assegura o transporte através dos TUB.

Formação profissional e acompanhamento humano

Para além do trabalho prático, os participantes recebem formação humanista ministrada pelo antigo jornalista Mário Robalo. O objetivo é ajudá-los a refletir sobre o passado, as decisões tomadas e as perspetivas de vida depois de cumprirem as respetivas penas.

O padre João Torres considera que a aprendizagem de uma profissão é fundamental, mas defende que a reinserção exige também preparação pessoal e acompanhamento.

A iniciativa pretende, assim, proporcionar aos reclusos ferramentas para reconstruírem a vida, criando uma ligação à comunidade antes do regresso definitivo à liberdade.

Presépio abre portas a 13 de dezembro

O Presépio ao Vivo de Priscos abre ao público no próximo dia 13 de dezembro. A edição deste ano contará com cerca de 600 figurantes distribuídos por 90 cenários diferentes.

A construção e preparação do espaço decorrem ao longo de todo o ano, envolvendo trabalhadores, voluntários e os reclusos que encontram nesta iniciativa uma oportunidade de aprendizagem, trabalho e reintegração social.

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