Os 10% de famílias mais ricas concentram cerca de 59% da riqueza líquida nacional, enquanto os 50% menos ricos detêm apenas cerca de 6%, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal.
Os 10% de famílias mais ricas de Portugal aumentaram a sua riqueza líquida em 73% ao longo de cerca de 15 anos, reforçando o seu peso no património total do país. Em contrapartida, a riqueza dos 50% menos abonados cresceu 51% no mesmo período, perdendo expressão relativa na distribuição da riqueza nacional.
Os dados foram divulgados pelo Banco de Portugal (BdP) esta terça-feira, 20 de outubro de 2026, no Dia Europeu da Estatística, através de uma nova base de dados sobre a evolução, a composição e a distribuição da riqueza das famílias portuguesas, segundo o Diário de Notícias Economia.
De acordo com os dados apresentados, a riqueza líquida das famílias mais ricas passou de 413 mil milhões de euros, no final de 2010, para 714 mil milhões de euros no primeiro trimestre de 2026. Este aumento permitiu que o grupo passasse a concentrar cerca de 59% da riqueza líquida total das famílias portuguesas.
No extremo oposto, os 50% de famílias com menor riqueza registaram um crescimento patrimonial mais moderado. Segundo cálculos do Diário de Notícias Economia, realizados com base nos dados preliminares do Banco de Portugal, a riqueza deste grupo aumentou 51% ao longo do período analisado. Apesar da subida em termos absolutos, a sua participação na riqueza total diminuiu de 6,7%, em 2010, para 5,9% no primeiro trimestre de 2026.
Imóveis continuam a dominar o património das famílias
A valorização dos imóveis residenciais e o crescimento dos ativos financeiros foram os principais fatores que contribuíram para o aumento da riqueza líquida das famílias portuguesas nos últimos 15 anos, explica o Banco de Portugal.
Os imóveis representam, em média, cerca de 52% da riqueza total das famílias, seguidos dos depósitos bancários, com aproximadamente 19%, e das participações em capital, como fundos de investimento, que correspondem a cerca de 16%.
No entanto, a composição do património varia significativamente consoante o nível de riqueza. Em 2025, os imóveis representavam cerca de 74% dos ativos das famílias abaixo da mediana da riqueza líquida. Já entre os 10% mais ricos, o peso dos imóveis era inferior a 40%, enquanto as participações em capital correspondiam a 28% dos ativos.
Esta diferença evidencia uma maior diversificação dos investimentos entre as famílias mais ricas, que dispõem de uma parcela mais significativa do seu património aplicada em ativos financeiros. Os depósitos bancários continuam, ainda assim, a ter um peso relevante em todos os grupos, representando entre 17% e 21% dos ativos.
Desigualdade mantém-se elevada
Apesar do crescimento global da riqueza, a sua distribuição continua a ser bastante desigual em Portugal. O Banco de Portugal assinala que, entre 2010 e 2025, os 10% de famílias com maior riqueza concentravam 59% da riqueza líquida total, enquanto os 50% com menor património detinham apenas cerca de 6%.
O banco central considera que estes resultados demonstram uma distribuição da riqueza que permaneceu desigual e relativamente estável ao longo do período analisado.
A riqueza mediana das famílias portuguesas aumentou, mas continuou abaixo da registada na área do euro. Ainda assim, a parcela da riqueza detida pelas famílias menos ricas é superior à média europeia: entre 2010 e 2025, este grupo detinha, em média, 6,1% da riqueza total em Portugal, face a 4,5% na área do euro.
Segundo o Banco de Portugal, esta diferença está associada ao peso relativamente elevado dos imóveis no património das famílias portuguesas com menor riqueza líquida, cuja valorização contribuiu para reforçar os seus ativos ao longo dos anos.
Crédito à habitação continua a ser a principal dívida
Do lado dos passivos, os empréstimos à habitação constituem a principal componente da dívida das famílias, independentemente do nível de riqueza.
A evolução do património líquido resulta, assim, não apenas da valorização dos ativos, mas também da dedução das dívidas contraídas pelas famílias.
Os novos dados do Banco de Portugal permitem acompanhar de forma mais detalhada estas diferenças patrimoniais e mostram que, embora a riqueza das famílias portuguesas tenha aumentado ao longo dos últimos 15 anos, os ganhos foram distribuídos de forma desigual, com os grupos mais ricos a reforçarem significativamente a sua posição no conjunto da economia nacional.
Fonte: Diário de Notícias Economia, 20 de outubro de 2026, com base nos dados divulgados pelo Banco de Portugal.



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