A prestação da casa pode voltar a aumentar em outubro para milhares de famílias portuguesas com crédito à habitação a taxa variável, num cenário marcado pela subida das taxas Euribor.
As simulações mais recentes apontam para agravamentos que, em determinados contratos, podem ultrapassar os 130 euros mensais, dependendo do montante em dívida, prazo do empréstimo, spread e, sobretudo, do indexante associado ao crédito.
De acordo com simulações da DECO PROteste divulgadas pelo Notícias ao Minuto, para um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos e com um spread de 1%, a prestação poderá subir entre cerca de 25 e 90 euros, consoante o prazo da Euribor. Os cálculos, feitos com dados disponíveis até 25 de setembro, ainda são provisórios porque a média definitiva de setembro só fica fechada no final do mês.
No caso de um crédito indexado à Euribor a três meses, a prestação estimada é de 685,26 euros, mais 25,10 euros do que na anterior revisão. Para a Euribor a seis meses, a prestação sobe para 707,16 euros, um aumento de 48,41 euros. Já num contrato indexado à Euribor a 12 meses, a prestação poderá atingir 736,24 euros, mais 89,83 euros.
O agravamento está relacionado com a subida das Euribor ao longo das últimas semanas. A Euribor a seis meses, que é atualmente o indexante mais utilizado nos contratos de crédito à habitação com taxa variável em Portugal, chegou a 2,991% no dia 21 de setembro, o valor mais elevado desde outubro de 2024.
A Euribor a 12 meses também tem negociado acima dos 3%, refletindo a maior pressão sobre os contratos que são revistos nesta altura. As taxas são influenciadas pelas expectativas do mercado relativamente à evolução dos juros do Banco Central Europeu.
O BCE voltou a aumentar as taxas diretoras em 10 de setembro, em 25 pontos base, colocando a taxa de depósito nos 2,5%. A próxima reunião de política monetária está marcada para 28 e 29 de outubro.
É importante, contudo, distinguir os aumentos estimados para diferentes contratos. O valor de 130 euros ou mais não representa um aumento igual para todos os proprietários. O impacto depende do capital ainda em dívida, prazo restante, spread, tipo de taxa e data de revisão do contrato.
A própria forma como os contratos são revistos explica por que motivo duas famílias com empréstimos semelhantes podem sentir aumentos diferentes no mesmo mês. A prestação é recalculada de acordo com o indexante e com a periodicidade definida no contrato, sendo utilizada a média da Euribor correspondente.
Para quem tem crédito à habitação, a data da próxima revisão é, por isso, um dos dados mais importantes a confirmar no contrato ou junto do banco. Com a média definitiva da Euribor de setembro conhecida, será possível calcular com maior precisão o impacto da atualização de outubro.
O atual cenário coloca novamente pressão sobre os orçamentos familiares, sobretudo nos agregados que continuam com empréstimos indexados às taxas variáveis.



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