Nota da direção: Quando falta argumento, fala-se em lama.
Carlos Barbosa reagiu à notícia publicada pelo Semanário Vóx dizendo que não foi condenado por tribunal nenhum. É verdade. E o Semanário Vóx nunca escreveu o contrário.
O que escrevemos foi simples: existe um processo judicial, existe uma acusação e existiu, inclusivamente, o levantamento da imunidade parlamentar para que a Justiça pudesse seguir o seu curso normal. Esses factos são públicos e amplamente noticiados por vários órgãos de comunicação social.
Confundir a divulgação de factos com uma condenação é um argumento curioso, sobretudo vindo de um partido que passou anos a transformar suspeitas, investigações e acusações em temas centrais do debate político.
José Sócrates também não foi condenado durante muitos anos. Nem por isso o CHEGA deixou de o atacar diariamente, de o usar como símbolo da corrupção nacional e de o julgar politicamente em praça pública. A presunção de inocência nunca impediu André Ventura e os seus dirigentes de falarem do caso praticamente todos os dias.
Por isso, convém alguma coerência.
Quando os processos envolvem adversários políticos, o CHEGA considera legítimo escrutinar, questionar e noticiar. Quando o processo envolve um dos seus candidatos à liderança distrital, afinal já é “lama”, “assassinato político” e “capas encomendadas”.
O Semanário Vóx não condena ninguém. Mas também não esconde factos relevantes dos seus leitores, especialmente quando dizem respeito a quem pretende liderar uma estrutura partidária e exercer responsabilidades públicas.
A Justiça fará o seu trabalho.
O jornalismo continuará a fazer o seu.
E, ao contrário do que sugere Carlos Barbosa, informar não é atirar lama. É precisamente limpar o terreno para que os cidadãos possam formar a sua própria opinião.