Carlos Barbosa quer liderar o Chega em Braga, mas leva processo judicial às costas

O deputado do Chega Carlos Barbosa, eleito pelo círculo de Braga, encontra-se no centro de uma polémica política e judicial numa altura em que disputa a liderança da Comissão Política Distrital de Braga do partido.

No passado dia 29 de maio, a Assembleia da República aprovou o levantamento da imunidade parlamentar do deputado, permitindo o prosseguimento de um processo judicial relacionado com um alegado crime de injúria. O inquérito corre termos no Tribunal Judicial de Braga e, segundo informações avançadas pela agência Lusa, está relacionado com declarações proferidas por Carlos Barbosa durante uma reunião interna do Chega.

A decisão parlamentar surgiu poucas semanas antes de o deputado anunciar a sua candidatura à presidência da Distrital de Braga do partido. Na apresentação da candidatura, Carlos Barbosa afirmou que pretende afirmar uma liderança “próxima dos militantes”, sustentando que ao partido tem faltado uma liderança mobilizadora e capaz de unir as bases. O candidato defendeu ainda a necessidade de uma mudança de rumo na estrutura distrital, atualmente liderada pelo também deputado Filipe Melo.

A candidatura surge, contudo, num momento particularmente delicado para o dirigente. Enquanto procura assumir a liderança política da maior estrutura distrital do Chega no Minho, enfrenta simultaneamente um processo judicial que obrigou o Parlamento a autorizar o levantamento da proteção inerente ao mandato parlamentar.

Carlos Barbosa é atualmente deputado à Assembleia da República, presidente da Mesa da Assembleia Distrital de Braga do Chega e coordenador eleitoral e autárquico do distrito. Foi empresário e consultor e integra atualmente várias estruturas parlamentares, entre as quais a Comissão de Reforma do Estado e Poder Local e a Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.

No plano interno, a candidatura tem recolhido apoios de diversos militantes e dirigentes do distrito. Entre os apoiantes encontra-se Elisabete Rodrigues, coordenadora do CHEGA em Vila Verde, que manifestou publicamente o seu apoio através das redes sociais.

Numa publicação no Facebook, Elisabete Rodrigues defendeu a necessidade de construir uma estrutura distrital assente em “trabalho, proximidade, organização, mérito e respeito”, afirmando que o distrito necessita de uma direção mais próxima dos autarcas, eleitos e militantes.

Na mesma mensagem, a apoiante reconheceu que “muito trabalho foi feito ao longo dos últimos anos”, mas considerou que se verificou um afastamento daquilo que considera essencial para o partido, nomeadamente a proximidade com os militantes e o apoio a quem trabalha no terreno. A responsável apelou ainda aos militantes para concederem uma oportunidade ao projeto liderado por Carlos Barbosa, defendendo uma nova forma de organização e funcionamento da estrutura distrital.

As eleições para a Distrital de Braga decorrem num contexto de crescente disputa interna. Pela primeira vez, a liderança distrital do Chega em Braga é disputada por várias candidaturas, numa corrida que tem sido marcada por críticas à atual direção e por divergências quanto ao rumo futuro da estrutura partidária.

Apesar do levantamento da imunidade parlamentar, importa sublinhar que Carlos Barbosa não foi condenado por qualquer tribunal. O processo encontra-se em fase judicial e caberá à Justiça determinar a existência ou não de responsabilidade criminal relativamente aos factos em investigação.

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