Isabel Moreira em polémica por contrato que lhe travava a voz noutros canais

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Artigo do Página Um critica contrato remunerado de exclusividade da deputada socialista com a CNN Portugal e questiona a promiscuidade entre políticos no ativo e órgãos de comunicação social.

O Página Um publicou um artigo de opinião fortemente crítico sobre a deputada socialista Isabel Moreira, depois de a parlamentar ter denunciado publicamente que um contrato de exclusividade com a CNN Portugal a impedia de comentar noutros canais, apesar de ter deixado de ser chamada pela estação.

Segundo o texto do Página Um, a situação expõe um problema mais vasto na democracia portuguesa: a presença de políticos no ativo como comentadores pagos em órgãos de comunicação social, muitas vezes com contratos remunerados e até cláusulas de exclusividade.

O jornal considera que um deputado não deve transformar a notoriedade conquistada através do mandato popular em rendimento complementar, nem “alugar” a sua voz pública a operadores mediáticos. Para o Página Um, a política deve ser encarada como serviço público e não como uma forma de rentabilizar influência.

O artigo é particularmente duro com Isabel Moreira, sustentando que a deputada aceitou livremente um contrato que limitava a sua participação noutros espaços mediáticos e só terá tornado o caso público quando recebeu um email a dispensá-la. O Página Um recorda ainda que, segundo a própria informação do site da CNN Portugal citada no texto, a deputada não aparecia em estúdio desde junho de 2025.

Na leitura do jornal, a questão central não é apenas jurídica, mas ética e democrática: políticos eleitos podem aceitar contratos remunerados, mas não deveriam vender a exclusividade da sua palavra pública enquanto exercem mandato parlamentar.

O Página Um alarga a crítica aos próprios órgãos de comunicação social, defendendo que a imprensa existe para escrutinar o poder, não para o contratar. O texto questiona que independência pode existir quando políticos em funções passam a integrar o mesmo ecossistema empresarial que deveria fiscalizar a sua atividade.

Para o jornal, o caso Isabel Moreira funciona como sintoma de uma prática mais ampla e normalizada: deputados, dirigentes partidários e outras figuras políticas que acumulam funções públicas com presença remunerada nos media. O artigo classifica este fenómeno como “mercenarismo político” e defende que contamina a confiança pública na independência da imprensa e das instituições democráticas.

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