Salário mínimo vai aumentar 50 euros em 2027: ministra do Trabalho diz que “não é pouco num país como Portugal”
Rosário Palma Ramalho defende o cumprimento do acordo de Concertação Social, que prevê uma subida dos atuais 920 para 970 euros. Sindicatos reclamam aumentos superiores, enquanto as confederações empresariais não veem motivos para rever a meta.
O salário mínimo nacional deverá aumentar 50 euros em janeiro de 2027, passando dos atuais 920 para 970 euros brutos mensais. A subida foi defendida esta quinta-feira, 29 de outubro, pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, que considera o aumento significativo no contexto económico português.
“O reajuste para já está previsto e são 50 euros, o que é bastante relevante. Se pensarem bem, até ao final da legislatura este acordo permite que haja um aumento do nível de rendimentos dos trabalhadores, ao nível do salário mínimo, de 34%. Portanto, isto não é pouco num país como Portugal”, afirmou a governante.
As declarações foram feitas em Felgueiras, no distrito do Porto, à margem da inauguração de uma nova unidade fabril da empresa dinamarquesa Coloplast. A ministra foi questionada sobre a possibilidade de o aumento do custo de vida e das despesas com a habitação justificar uma atualização mais expressiva do salário mínimo.
Governo mantém aumento previsto para 2027
O Executivo pretende cumprir o acordo de valorização salarial e crescimento económico estabelecido em outubro de 2024, no âmbito da Concertação Social. O entendimento prevê aumentos anuais de 50 euros no salário mínimo, com o objetivo de atingir os 1.020 euros em 2028.
A subida para 970 euros em 2027 consta também do relatório que acompanha a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano.
Rosário Palma Ramalho sublinhou que o Governo pretende respeitar o compromisso assumido com os parceiros sociais, apesar das reivindicações para que o aumento seja superior.
“Não há nenhum acordo completamente fechado nunca. Agora, para se mudar, tem que ser outra vez por acordo das partes”, afirmou a ministra, acrescentando que as propostas apresentadas pelos sindicatos terão de ser acompanhadas por contrapropostas das confederações empresariais.
A governante garantiu, assim, que, para já, se mantém em vigor o entendimento existente e que o Executivo pretende cumprir o que foi acordado.
Sindicatos querem aumentos superiores
A subida prevista para 2027 está longe de corresponder a todas as reivindicações sindicais. A CGTP defende que o salário mínimo nacional atinja os 1.100 euros já no próximo ano, enquanto a UGT reivindica um valor superior a 1.000 euros.
As centrais sindicais justificam a necessidade de aumentos mais elevados com a pressão da inflação e o encarecimento de despesas essenciais, nomeadamente a habitação, a alimentação e os serviços.
Do lado das confederações empresariais, a posição é diferente. As organizações patronais consideram não existirem razões suficientes para rever em alta os valores acordados, apontando também para medidas do acordo que, segundo defendem, ainda não foram concretizadas.
Deste modo, a possibilidade de uma subida superior aos 50 euros previstos dependerá de um novo entendimento entre o Governo, os representantes dos trabalhadores e as organizações empresariais.
O que muda no salário mínimo em 2027?
Se a medida avançar nos termos previstos, o salário mínimo nacional passará de 920 para 970 euros brutos por mês, correspondendo a um aumento de 50 euros mensais, ou cerca de 5,4%.
Em termos anuais, considerando 14 pagamentos — 12 salários mensais, subsídio de férias e subsídio de Natal —, a diferença será de 700 euros brutos por ano para um trabalhador que receba a retribuição mínima durante todo o período.
O valor líquido recebido será inferior ao montante bruto e dependerá da situação fiscal e contributiva do trabalhador.
A evolução representa mais uma etapa da trajetória de valorização do salário mínimo nacional. Em 2024, este valor estava fixado em 820 euros, tendo aumentado para 870 euros em 2025 e para 920 euros em 2026.
Caso se confirme a subida para 970 euros em 2027, o salário mínimo terá aumentado 150 euros face a 2024, o equivalente a cerca de 18,3%.
Meta de 1.100 euros até 2029
Além do acordo de Concertação Social, o programa do Governo aponta para uma meta mais ambiciosa a médio prazo: elevar o salário mínimo nacional para 1.100 euros até 2029.
Esta meta não significa, contudo, que o valor esteja já garantido. A sua concretização dependerá das decisões futuras do Governo e da evolução das negociações salariais.
Para já, a proposta para 2027 mantém os 970 euros, enquanto sindicatos e representantes empresariais continuam a defender posições diferentes sobre a dimensão dos próximos aumentos.
O debate coloca em confronto a necessidade de reforçar o poder de compra dos trabalhadores, num contexto de custos de vida elevados, e as preocupações das empresas com os encargos salariais e as condições económicas.
O aumento de 50 euros previsto para 2027 continua, assim, a ser a referência do Governo, mas a discussão sobre o valor adequado do salário mínimo nacional deverá continuar no centro das negociações laborais.
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Fontes consultadas:
– “Correio da Manhã / Lusa — declarações da ministra do Trabalho, 29 de outubro de 2026” (https://www.cmjornal.pt/politica/amp/ministra-do-trabalho-considera-que-aumentos-previstos-do-salario-minimo-nao-sao-pouco-para-portugal)
– “Jornal Económico — aumento do salário mínimo para 970 euros em 2027” (https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/governo-confirma-aumento-do-salario-minimo-para-970-euros-em-2027/)
– “ECO — metas salariais e posições dos sindicatos” (https://eco.sapo.pt/2026/10/08/governo-vai-aumentar-salario-minimo-nacional-para-970-euros-em-2027/)
– “DGERT — valor oficial do salário mínimo em 2026” (https://www.dgert.gov.pt/retribuicao-minima-mensal-garantida-para-2026)
Nota editorial: os 970 euros são o valor previsto para 2027 na proposta orçamental e no acordo em vigor. A entrada em vigor do novo montante depende da formalização legal aplicável.



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