Troca de acusações entre PSD e Chega marcou o debate parlamentar sobre o custo de vida e a descida do IVA dos combustíveis.
O debate desta quinta-feira na Assembleia da República ficou marcado por uma acesa troca de acusações entre o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, e o presidente do Chega, André Ventura.
Durante a discussão de medidas destinadas a combater o aumento do custo de vida, Hugo Soares dirigiu-se a Ventura e chamou-lhe “aldrabão político”, acusando o líder do Chega de apresentar propostas que, segundo o social-democrata, não teriam efeitos imediatos para os portugueses.
“Está definitivamente encontrado o novo engenheiro José Sócrates”, afirmou Hugo Soares, estabelecendo uma comparação entre André Ventura e o antigo primeiro-ministro. O líder parlamentar do PSD sustentou que, na sua perspetiva, a atuação política de Ventura segue uma metodologia semelhante à de Sócrates e acusou-o de conduzir o país num caminho que poderia levar à “bancarrota”.
O momento de maior tensão ocorreu quando Hugo Soares afirmou que “só um inculto ou um aldrabão” poderia dizer que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, estava numa gala de futebol. O social-democrata esclareceu que Montenegro se encontrava em Nova Iorque, onde participa na Assembleia Geral das Nações Unidas em representação de Portugal.
As declarações provocaram protestos da bancada do Chega, levando o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, a intervir. O presidente do Parlamento advertiu que é necessário distinguir a crítica a políticas ou ações da qualificação pessoal de outros deputados e alertou que poderá retirar a palavra caso o registo de linguagem agressiva ou insultuosa se repita.
Ventura responde a Hugo Soares
Na resposta, André Ventura rejeitou a comparação feita pelo PSD e devolveu as críticas ao Governo e ao próprio PSD.
O líder do Chega afirmou que a verdadeira “aldrabice política” seria dizer aos portugueses que a situação económica está a melhorar enquanto os preços dos combustíveis continuam elevados. Ventura voltou também a comparar o atual Governo com José Sócrates, defendendo que Luís Montenegro estaria mais próximo do antigo primeiro-ministro do que o próprio líder do Chega.
No centro do debate esteve ainda a proposta do Chega para reduzir o IVA dos combustíveis de 23% para 13%. Segundo a informação divulgada pela Agência Lusa, a proposta do Chega apenas entraria em vigor em janeiro de 2027, enquanto o PS defende uma redução temporária do IVA, com um horizonte trimestral e avaliação mensal.
André Ventura desafiou ainda o PS a viabilizar a proposta do Chega, comprometendo-se, em contrapartida, a apoiar a iniciativa socialista relativa à redução do IVA dos combustíveis.
O debate terminou com novas acusações entre os dois partidos, num confronto que teve como pano de fundo a subida dos preços dos combustíveis e as diferentes propostas apresentadas no Parlamento para aliviar o impacto do aumento do custo de vida.



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