Diretor nacional da Polícia Judiciária mantém as declarações prestadas no julgamento de Rui Pinto. Ministério Público investiga alegadas escutas realizadas no âmbito do processo Football Leaks.
O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, não pretende demitir-se na sequência das buscas realizadas esta quarta-feira pelo Ministério Público (MP) em instalações da Polícia Judiciária e no seu próprio gabinete.
Segundo a RTP, Carlos Cabreiro mantém integralmente as declarações que prestou em tribunal no âmbito do processo Football Leaks e não considera apresentar a demissão. O diretor da PJ assumiu o cargo em abril deste ano, depois de mais de três décadas ao serviço da instituição. (RTP)
A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, reiterou entretanto a confiança no responsável máximo da PJ. Em resposta à RTP, o gabinete da governante afirmou que as diligências realizadas pelo Ministério Público não afetam a confiança no diretor nacional.
A ministra sublinhou também que respeita a autonomia do Ministério Público e o regular funcionamento das instituições, reafirmando a confiança na missão da Polícia Judiciária e nos seus profissionais. (RTP)
Buscas relacionadas com alegadas escutas
As buscas estão relacionadas com uma denúncia apresentada à Procuradoria-Geral da República sobre alegadas escutas realizadas em 2015 no âmbito da investigação ao caso Football Leaks.
Em causa estão gravações de um encontro entre Aníbal Pinto, então advogado de Rui Pinto, e outros intervenientes, numa área de serviço da A5, em Oeiras. Segundo a denúncia, essas gravações terão sido relevantes para a investigação que conduziu à identificação de Rui Pinto. (ECO)
A investigação procura determinar se foram realizadas escutas sem a necessária autorização e confronta essa questão com as declarações prestadas por Carlos Cabreiro durante o julgamento de Rui Pinto, em 2023.
As diligências abrangeram a Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico da PJ, em Loures, e posteriormente o gabinete do diretor nacional, em Lisboa. Os investigadores procuraram analisar equipamentos e registos relacionados com os factos em investigação. O telemóvel de Carlos Cabreiro, contudo, não foi apreendido. (RR)
Processo ainda não tem arguidos
A Procuradoria-Geral da República esclareceu que o processo não tem, para já, arguidos constituídos e que decorre em segredo de justiça. A PJ confirmou as buscas e afirmou ter colaborado com as autoridades judiciárias, sem avançar mais informações sobre o inquérito. (RR)
Carlos Cabreiro mantém que as declarações que prestou em tribunal correspondem à verdade. A posição surge numa altura em que o Ministério Público procura esclarecer as circunstâncias relacionadas com as alegadas escutas.
O caso continua, assim, sob investigação, não existindo até ao momento uma conclusão judicial sobre a eventual existência de ilícitos ou sobre a responsabilidade dos envolvidos.



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