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Montenegro apoia segundo mandato de António Costa no Conselho Europeu

Primeiro-ministro português já tinha declarado apoio ao antigo chefe do Governo em 2024. Presidente do Conselho Europeu prepara renovação do mandato, que termina em maio de 2027 António Costa já trabalha para prolongar por mais dois anos e meio a sua passagem pela presidência do Conselho Europeu. O antigo primeiro-ministro português conta com o apoio…

Primeiro-ministro português já tinha declarado apoio ao antigo chefe do Governo em 2024. Presidente do Conselho Europeu prepara renovação do mandato, que termina em maio de 2027

António Costa já trabalha para prolongar por mais dois anos e meio a sua passagem pela presidência do Conselho Europeu. O antigo primeiro-ministro português conta com o apoio político de Luís Montenegro e mantém uma relação de cooperação com o Partido Popular Europeu (PPE), numa corrida que deverá ganhar maior intensidade à medida que se aproxima o fim do atual mandato.

Costa assumiu a presidência do Conselho Europeu a 1 de dezembro de 2024 e o seu mandato termina a 31 de maio de 2027. O cargo pode ser renovado uma vez, por um novo período de dois anos e meio.

A intenção de procurar uma segunda passagem pelo cargo não é nova. Em agosto de 2025, o ECO noticiou que Costa não escondia o objetivo de ser reeleito e apontava a renovação como a próxima etapa da sua carreira europeia.

O apoio português também está consolidado. Luís Montenegro anunciou, em junho de 2024, que Portugal apoiaria António Costa para a presidência do Conselho Europeu, defendendo que o nome do antigo primeiro-ministro reunia as condições para obter o consenso necessário entre os Estados-membros. O primeiro-ministro garantiu então ter transmitido esse apoio aos seus homólogos do PPE.

A posição de Montenegro foi decisiva no processo que conduziu à eleição de Costa. O atual primeiro-ministro português começou por defender publicamente a candidatura depois das eleições europeias e manteve o apoio durante as negociações entre as principais famílias políticas europeias. Em 27 de junho de 2024, Costa acabou eleito por maioria qualificada dos líderes europeus.

Um mandato com apoio transversal

A eleição de 2024 resultou de um acordo entre as principais famílias políticas europeias. Costa foi escolhido pelo Conselho Europeu enquanto candidato dos socialistas europeus, no mesmo pacote político que incluiu Ursula von der Leyen, do PPE, para um segundo mandato à frente da Comissão Europeia, e Kaja Kallas para o cargo de alta representante da União para os Negócios Estrangeiros.

Desde que chegou a Bruxelas, Costa tem mantido contactos regulares com a liderança do PPE. A agenda oficial do presidente do Conselho Europeu regista encontros com Manfred Weber, presidente do grupo parlamentar dos populares europeus, e com os líderes dos grupos PPE, Socialistas e Democratas e Renew Europe.

O relacionamento com o PPE ganha importância porque os populares continuam a ser uma das principais forças políticas na definição dos equilíbrios institucionais europeus. O PSD de Luís Montenegro integra a família política do PPE.

A eventual renovação de Costa será, contudo, uma decisão dos chefes de Estado ou de Governo dos 27. O presidente do Conselho Europeu não é eleito diretamente pelos cidadãos europeus. É escolhido pelo próprio Conselho Europeu através de uma votação por maioria qualificada.

Costa prepara terreno para 2027

A movimentação política acontece numa altura em que António Costa intensifica os contactos com os governos nacionais. Em agosto e setembro de 2026, o presidente do Conselho Europeu iniciou uma nova ronda pelas capitais europeias, com particular atenção às negociações sobre o próximo orçamento plurianual da União Europeia e às prioridades políticas para os próximos anos.

A agenda é particularmente relevante para Costa. O acordo sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual exige unanimidade dos Estados-membros e deverá concentrar parte importante das negociações europeias até ao final de 2026. O presidente do Conselho Europeu pretende chegar às reuniões decisivas com uma visão clara das posições dos diferentes governos.

A estratégia também permite a Costa reforçar o contacto direto com os líderes nacionais antes da discussão sobre a liderança do Conselho Europeu para o período posterior a maio de 2027.

O eventual segundo mandato dependerá, ainda assim, de uma nova negociação política. Em 2024, chegou a estar em cima da mesa uma solução que previa uma divisão do mandato entre diferentes famílias políticas, com o PPE a assumir a segunda metade. Essa hipótese acabou por não prevalecer e Costa foi eleito para um mandato completo de dois anos e meio.

A renovação colocará novamente em cima da mesa os equilíbrios entre PPE, Socialistas e Democratas e Renew Europe. Até lá, Costa tem pela frente algumas das negociações mais exigentes do atual ciclo europeu, incluindo o orçamento da União, a guerra na Ucrânia, a competitividade económica e o reforço da política de defesa europeia.

O presidente do Conselho Europeu já deu sinais de que pretende chegar a 2027 com trabalho feito e uma rede de apoios consolidada. A questão será saber se esse capital político será suficiente para garantir mais dois anos e meio em Bruxelas.

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