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“Farmar aura” sai das redes sociais e chega às ruas em Portugal

O que começou como uma expressão ligada à cultura digital transformou-se numa tendência entre adolescentes e jovens e já está a ganhar espaço fora dos ecrãs. Em Portugal, o fenómeno “farmar aura” chegou às ruas e deu origem até ao anúncio de um campeonato em Leiria. A expressão tornou-se viral sobretudo entre as gerações Z…

“Farmar aura” sai das redes sociais e chega às ruas em Portugal

O que começou como uma expressão ligada à cultura digital transformou-se numa tendência entre adolescentes e jovens e já está a ganhar espaço fora dos ecrãs. Em Portugal, o fenómeno “farmar aura” chegou às ruas e deu origem até ao anúncio de um campeonato em Leiria.

A expressão tornou-se viral sobretudo entre as gerações Z e Alfa. “Farmar” é um termo vindo dos videojogos e significa repetir determinadas ações para acumular recursos ou experiência. Já “aura” é utilizada nas redes sociais para descrever presença, carisma ou a capacidade de chamar a atenção dos outros.

Na prática, “farmar aura” significa fazer ou dizer algo que aumente a perceção de presença, confiança ou estatuto perante quem está a assistir. Quanto maior for a reação provocada, maior será, na lógica da brincadeira, a “aura” conquistada.

De meme a competição

A tendência deixou de estar confinada às redes sociais e começou a transformar-se numa espécie de espetáculo presencial. Em julho, mais de 200 pessoas reuniram-se num espaço público em São Paulo para assistir a uma competição que contou com 32 participantes. O vencedor, de 16 anos, recebeu um prémio de mil reais.

Em Portugal, a tendência também começa a ganhar forma. Foi anunciado para Leiria o primeiro campeonato português de “farmar aura”, embora ainda sem data definida. A proposta é transformar a ideia numa disputa baseada em presença, respeito e capacidade de impressionar o público.

A iniciativa chegou a gerar alguma confusão nas redes sociais. A página “Aqui é Leiria” publicou uma nota de esclarecimento para informar que não é responsável pela organização ou promoção do anunciado campeonato.

Mais do que uma brincadeira

Apesar do caráter humorístico, especialistas consideram que o fenómeno também revela mudanças na forma como os jovens procuram reconhecimento.

A psicóloga Vanessa Ferreira, citada pelo idealista/news, explica que a necessidade de sermos vistos e reconhecidos pelos outros não é nova. A diferença está, em parte, na forma como as redes sociais transformaram essa procura numa espécie de métrica, através de gostos, comentários, seguidores e visualizações.

É neste contexto que “farmar aura” pode ser entendido como uma forma contemporânea e informal de construir uma determinada imagem perante os outros.

O fenómeno também está a levantar uma questão sobre a utilização dos espaços públicos pelos adolescentes. A tendência tem levado jovens a sair dos telemóveis e a ocupar praças e outros locais de convívio, recuperando, ainda que de uma forma bastante diferente, uma dimensão social que durante décadas esteve associada à rua.

Uma tendência que já chegou à televisão e aos media

A expressão tornou-se suficientemente popular para entrar também no debate mediático. Em Portugal, a SÁBADO dedicou atenção ao significado de “farmar aura” e à sua relação com outras expressões virais entre os mais jovens.

No Brasil, o tema chegou recentemente ao programa “O Povo Quer Saber”, do Canal UOL. O influenciador Marco Serra comparou a tendência com o movimento emo, mas considerou que existe uma diferença importante: enquanto o emo tinha uma cultura, uma estética e uma cena musical próprias, “farmar aura” funciona sobretudo como um meme sem o mesmo enquadramento cultural.

A popularidade da expressão é também visível na forma como começou a ser utilizada por pessoas fora do universo adolescente. O jornalista brasileiro Chico Pinheiro, por exemplo, recorreu recentemente ao termo numa publicação bem-humorada sobre o final do seu tratamento de quimioterapia.

Entre o meme, a competição e a vontade de chamar a atenção, “farmar aura” tornou-se assim mais do que uma simples expressão da internet. É um fenómeno de cultura jovem que está a passar dos vídeos e comentários online para os espaços públicos, onde a procura por reconhecimento ganha uma dimensão real e coletiva.

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