A Polícia Judiciária está a investigar os mais recentes casos relacionados com a arbitragem em Portugal, num processo que poderá envolver suspeitas de corrupção, tráfico de influências e divulgação antecipada de informações sobre nomeações de árbitros, segundo avança o Correio da Manhã.
De acordo com a informação divulgada, vários árbitros já terão sido ouvidos pelas autoridades e alguns aceitaram colaborar com a investigação, disponibilizando conversas dos respetivos telemóveis. Entre os conteúdos alegadamente analisados estarão referências a prémios chorudos destinados a dirigentes, pressões para a escolha da equipa de arbitragem do clássico entre FC Porto e Benfica e alegadas ajudas ao Estrela da Amadora.
A investigação surge na sequência da polémica que abalou a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) após a saída de Duarte Gomes do cargo de diretor técnico nacional de arbitragem, em junho deste ano.
O antigo árbitro internacional apresentou uma participação formal à Federação, posteriormente remetida ao Ministério Público no âmbito do Regime Jurídico da Integridade do Desporto. Na altura, Duarte Gomes afirmou ter recebido informações de um árbitro profissional que, pelo seu teor e sensibilidade, lhe suscitaram “preocupações institucionais muito relevantes”.
Mais tarde, o Ministério Público instaurou um inquérito sobre alegadas interferências no processo de nomeações e eventual divulgação de informação confidencial a terceiros, com a Polícia Judiciária a realizar diligências no âmbito do processo.
O caso envolve também suspeitas relacionadas com jogos do Estrela da Amadora, nomeadamente alegadas informações antecipadas sobre árbitros nomeados para partidas do clube na reta final da temporada. A situação levou vários clubes, entre os quais FC Porto, Benfica e Sporting, a manifestarem preocupação pública sobre a credibilidade e independência do modelo de arbitragem nacional.
Duarte Gomes voltou entretanto a pronunciar-se sobre o tema numa entrevista à RTP, classificando os acontecimentos relatados como de “grande gravidade institucional”. As declarações reforçam a dimensão da crise de confiança instalada num setor considerado essencial para a transparência das competições profissionais.
O Conselho de Justiça da FPF chegou a abrir um processo de inquérito ao presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, na sequência da participação apresentada por Duarte Gomes. Contudo, o processo disciplinar acabou por ser arquivado por falta de indícios suficientes de infração disciplinar, sem prejuízo da investigação criminal que continua a decorrer.
A Polícia Judiciária procura agora esclarecer se existiram efetivamente pressões, favorecimentos ou tentativas de condicionar as nomeações de árbitros, bem como determinar a origem e o significado das conversas e informações que estão a ser analisadas.
O futebol português aguarda respostas num caso que volta a colocar a arbitragem no centro de uma das mais sérias crises institucionais dos últimos anos.



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