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Imprensa internacional arrasa seleção: “Dez homens e uma estátua”

A estreia de Portugal no Mundial de 2026 ficou longe do guião esperado e a reação internacional não tardou. O empate a um golo frente à República Democrática do Congo, em Houston, foi lido lá fora como um primeiro sinal de alerta sério para a seleção de Roberto Martínez. E, sobretudo, como mais um capítulo…

Imprensa internacional arrasa seleção: “Dez homens e uma estátua”

A estreia de Portugal no Mundial de 2026 ficou longe do guião esperado e a reação internacional não tardou. O empate a um golo frente à República Democrática do Congo, em Houston, foi lido lá fora como um primeiro sinal de alerta sério para a seleção de Roberto Martínez. E, sobretudo, como mais um capítulo incómodo na relação entre a equipa e a presença de Cristiano Ronaldo.

O jogo até começou de feição. Portugal marcou cedo, controlou a posse de bola e pareceu confortável durante largos minutos. Mas o domínio revelou-se enganador. A seleção perdeu intensidade, deixou-se empatar e nunca mais conseguiu recuperar o controlo emocional e táctico da partida. Um cenário que vários jornais europeus apontam como sintomático.

Em Portugal, A Bola fala num “aviso sério” logo à entrada do torneio. O diário sublinha a lentidão dos processos ofensivos e a previsibilidade de uma equipa que vive do talento individual, mas que mostrou dificuldades quando foi chamada a acelerar. O empate, escreve o jornal, deixa um “amargo de boca” e a noção clara de que o favoritismo teórico pouco vale num Mundial.

A crítica torna-se bem mais dura fora de portas. Em Espanha, o Marca ecoa um título do britânico The Independent que rapidamente ganhou dimensão internacional: “Dez homens e uma estátua”. A ideia repete-se ao longo da análise. Portugal surge como uma das primeiras decepções da prova e Cristiano Ronaldo como o epicentro do problema. A publicação espanhola questiona a insistência em manter o capitão em campo “a qualquer custo”, sugerindo que a selecção continua refém de uma dívida simbólica com o seu maior ícone.

O The Independent vai ainda mais longe. O jornal inglês considera que Portugal está a “sacrificar mais uma Copa do Mundo pelo ego de Cristiano Ronaldo” e descreve a exibição do avançado, agora com 41 anos, como um peso para o colectivo. O alerta é dirigido directamente a Roberto Martínez, embora o texto admita que não há sinais claros de que o seleccionador esteja disposto a mudar o paradigma.

Em França, o L’Équipe opta por uma leitura mais irónica, mas igualmente mordaz. Fala numa “caricatura” da selecção portuguesa, incapaz de transformar 75% de posse de bola num verdadeiro sufoco ao adversário. O jornal destaca o contraste entre o início intenso e a quebra gradual de ritmo, como se Portugal tivesse ficado confortável demais com o controlo estéril do jogo.

Já em Itália, o Tuttosport resume a noite de Houston de forma seca: “Ronaldo passa despercebido”. O destaque vai para Francisco Conceição, elogiado pela tentativa de agitar o ataque e dar velocidade a uma equipa que perdeu continuidade. Mas o esforço individual não chegou para evitar mais um dos resultados surpreendentes desta fase inicial do Mundial.

O empate não compromete, para já, o percurso de Portugal. Mas a estreia deixou marcas. E, à luz da reacção da imprensa internacional, deixou também uma pergunta no ar que promete acompanhar a selecção ao longo do torneio: até que ponto o peso do passado continua a condicionar o presente.

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