Português ganha força no mundo e entra no mapa das línguas de futuro
Com mais de 265 milhões de falantes espalhados pelos continentes, a língua portuguesa deixou de ser apenas herança cultural: é hoje vista como ferramenta de diplomacia, economia, ciência e influência global.
A língua portuguesa voltou a ser destacada como uma das grandes apostas de futuro no plano internacional, numa altura em que se assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado a 5 de maio.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, sublinhou que o português permite construir pontes entre centenas de milhões de falantes, tanto nos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa como noutras regiões do mundo. Para o chefe do Governo, a língua é “plural, diversa e aberta ao mundo” e tem vindo a renovar-se como instrumento de ligação entre povos, culturas e economias.
Na mensagem divulgada por ocasião da data, Montenegro defendeu ainda que o número de pessoas que aprendem português está a crescer em dezenas de países e em diferentes níveis de ensino. O governante classificou o idioma como uma “língua de futuro”, associando-o à ciência, à cultura, à economia e à inovação globais.
A dimensão internacional da língua portuguesa é hoje um dos seus principais argumentos. Segundo a UNESCO, o português é falado por mais de 265 milhões de pessoas em todos os continentes e é a língua mais falada no hemisfério sul. A organização considera ainda que continua a ser uma língua de comunicação internacional, com forte projeção geográfica e tendência de crescimento.
O Dia Mundial da Língua Portuguesa foi proclamado pela UNESCO em 2019. A data de 5 de maio já tinha sido estabelecida em 2009 pela CPLP para celebrar a língua portuguesa e as culturas lusófonas.
A promoção internacional da língua tem vindo também a ganhar expressão através da rede do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua. Em 2026, o instituto promove cerca de 150 iniciativas culturais à escala global, envolvendo universidades, instituições, artistas e comunidades, com o objetivo de reforçar a presença do português no mundo.
A ambição portuguesa vai além da celebração simbólica. O Governo tem nos seus planos procurar reforçar o estatuto internacional do português, incluindo a antiga reivindicação de tornar a língua portuguesa oficial nas Nações Unidas, uma meta referida no contexto das comemorações deste ano.
O português é língua oficial em vários países de diferentes continentes, com presença forte em África, América do Sul, Europa e Ásia. Essa dispersão dá-lhe um peso que vai muito além da literatura ou da identidade cultural: abre portas na diplomacia, nos negócios, na cooperação, no ensino, na tecnologia e nas relações entre Estados.
Num mundo cada vez mais competitivo, a língua portuguesa começa a ser vista não apenas como memória histórica, mas como ativo estratégico. E essa talvez seja a grande mudança: o português já não é apenas a língua de Camões, Pessoa ou Saramago. É também uma língua de mercados emergentes, de comunidades jovens, de ciência, de criatividade e de influência global.