Falta de 14 mil enfermeiros coloca SNS em “risco de colapso”
A Ordem dos Enfermeiros (OE) alertou esta segunda-feira para a falta de mais de 14 mil enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando que a escassez de profissionais está a colocar as unidades públicas de saúde em “risco de colapso”.
A posição foi divulgada no âmbito do Dia Internacional do Enfermeiro, assinalado a 12 de maio, e surge após o Conselho Internacional de Enfermeiros revelar um défice global de 5,8 milhões de profissionais da área.
Em comunicado, o bastonário da OE, Luís Filipe Barreira, defendeu que “sem investimento em enfermeiros em Portugal, não conseguiremos garantir a sustentabilidade do SNS”, alertando para o desgaste crescente dos profissionais que permanecem no sistema.
Segundo a Ordem, os enfermeiros portugueses encontram-se “exaustos, desmotivados e sujeitos a enorme desgaste”, cenário que continua a empurrar muitos recém-licenciados para a emigração. Dados da instituição indicam que cerca de 40% dos novos enfermeiros optam por trabalhar no estrangeiro, atraídos por melhores salários, condições laborais e perspetivas de carreira.
A OE refere que países como Suíça, Bélgica ou Espanha oferecem remunerações até quatro vezes superiores às praticadas em Portugal, tornando difícil reter profissionais no SNS.
A Ordem recorda ainda que apresentou recentemente ao Ministério da Saúde uma proposta para atribuir enfermeiros de família aos mais de 1,5 milhões de utentes sem médico de família registados no final de 2025. A medida, segundo a instituição, ajudaria a reduzir desigualdades no acesso aos cuidados de saúde.
O relatório internacional divulgado hoje aponta também o “burnout”, a violência no local de trabalho, as más condições de trabalho e os baixos salários como principais causas para o abandono da profissão.
A Ordem dos Enfermeiros defende igualmente uma reorganização do sistema de saúde que permita valorizar mais competências destes profissionais, incluindo a possibilidade de os enfermeiros poderem prescrever determinados medicamentos, dispositivos médicos e meios complementares de diagnóstico, à semelhança do que já acontece noutros países.
Luís Filipe Barreira criticou ainda atrasos na implementação de medidas já previstas, como o acompanhamento de gravidezes de baixo risco por enfermeiros especialistas nos cuidados de saúde primários, considerando que continuam a existir resistências dentro do sistema.