Vila Verde gasta 6 mil euros para celebrar o 25 de abril

O concelho de Vila Verde prepara um programa diversificado para celebrar o 52.º aniversário da Revolução do 25 de Abril, combinando momentos institucionais com iniciativas culturais abertas à população.

As comemorações arrancam na sexta-feira à noite, na Adega Cultural, com um espetáculo dos Anónimos de Abril. O projeto apresenta canções originais inspiradas em episódios e figuras marcantes da Revolução dos Cravos, com letras de José Fialho Gouveia, música de Rogério Charraz e interpretação vocal de Joana Alegre.

No sábado à noite, o mesmo espaço recebe os Antíkua, banda composta por músicos vilaverdenses. O concerto, marcado para as 22h00, será dominado pelo álbum “Outrora”, num estilo que cruza música portuguesa com influências de fusão e rock.

O ponto alto das celebrações decorre no próprio dia 25 de abril. A manhã começa com o hastear das bandeiras na Praça do Município, acompanhado pela fanfarra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários. Segue-se, às 10h30, a sessão solene na freguesia da Lage, que este ano assume especial relevância ao coincidir com os 50 anos do Poder Local.

A cerimónia será presidida pelo presidente da Assembleia Municipal, Carlos Arantes, contando com intervenções dos vários grupos políticos e da presidente da Câmara Municipal, Júlia Rodrigues Fernandes.

O programa envolve ainda a participação de várias instituições locais, incluindo escolas, associações culturais e sociais e o agrupamento de escuteiros da Lage, reforçando o caráter comunitário das celebrações.

Com música, memória e participação cívica, Vila Verde volta a assinalar a data que marcou a conquista da liberdade e da democracia em Portugal.

Gastos municipais em cerimónia oficial

O Município de Vila Verde vai gastar seis mil euros na contratação de um espetáculo musical integrado nas comemorações do 25 de Abril, uma data historicamente associada à reflexão cívica, política e social. O contrato, publicado esta terça-feira, 15 de abril de 2026, diz respeito à aquisição do espetáculo “Anónimos de Abril”, incluído no programa cultural da autarquia para assinalar a Revolução dos Cravos.
De acordo com a informação divulgada, o procedimento foi realizado por ajuste direto em regime geral, ao abrigo do Código dos Contratos Públicos, com fundamento na ausência de recursos próprios. A entidade adjudicante é o Município de Vila Verde, tendo sido adjudicatária a empresa Secret Penguin Lda.

O contrato foi celebrado a 14 de abril de 2026, tem um prazo de execução de um dia e um preço contratual de 6.000 euros. O objeto do acordo é a aquisição de um espetáculo musical a realizar em território nacional, no âmbito das comemorações da data que assinala o fim de quase meio século de ditadura em Portugal.
O recurso ao ajuste direto foi sustentado no artigo 24.º do Código dos Contratos Públicos, sendo a Secret Penguin Lda. a única entidade concorrente no procedimento. Não houve acordo-quadro nem procedimento centralizado, nem estão previstos critérios ambientais associados ao contrato.

Embora as iniciativas culturais façam parte habitual das comemorações do 25 de Abril, o investimento em espetáculos levanta, mais uma vez, a discussão sobre o equilíbrio entre animação cultural e o significado simbólico da data. Para muitos, o dia da liberdade deveria privilegiar momentos de memória, debate e reflexão sobre os valores democráticos, sobretudo num contexto de crescente afastamento cívico e desafios à participação política.

A despesa agora conhecida junta-se a outras iniciativas semelhantes promovidas por autarquias em todo o país, num ano em que se assinalam mais de cinco décadas desde a Revolução. A forma como se comemora o 25 de Abril continua, assim, a refletir opções políticas e culturais que nem sempre são consensuais.

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