DECO alerta para dificuldades financeiras
Cerca de 1,9 milhões de agregados familiares estavam endividados em 2024. Metade das famílias com dívidas gastava pelo menos 15% do rendimento líquido anual no pagamento dos créditos. Os encargos são particularmente elevados entre os 35 e os 44 anos.
Quase dois milhões de famílias portuguesas tinham algum tipo de dívida em 2024, um cenário que continua a suscitar preocupação perante a pressão exercida pelo crédito e pelo custo de vida sobre os orçamentos domésticos.
Os dados, divulgados a 2 de novembro pelo Jornal Económico, com base num estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), através da Pordata, revelam que 41,7% dos cerca de 4,5 milhões de agregados familiares residentes em Portugal tinham dívidas. São aproximadamente 1,9 milhões de famílias.
Apesar de esta proporção ter diminuído cinco pontos percentuais face a 2020, o peso dos compromissos financeiros continua a ser significativo. Em metade das famílias endividadas, os pagamentos associados aos créditos representavam pelo menos 15% do rendimento líquido anual.
Crédito à habitação continua a ser a principal dívida
O crédito para aquisição de habitação é a forma de endividamento mais frequente, abrangendo 24,7% dos agregados familiares, quase uma em cada quatro famílias.
Seguem-se os empréstimos sem garantia imobiliária, que atingem 18,7% dos agregados, enquanto as dívidas relacionadas com cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários afetam 10,3%.
Os dados mostram também diferenças significativas entre gerações. É no grupo dos 35 aos 44 anos que o endividamento assume maior expressão: 64,9% dos agregados nesta faixa etária tinham algum tipo de dívida.
Neste grupo, metade das famílias endividadas devia pelo menos 180,5% do respetivo rendimento líquido anual, ou seja, um valor equivalente a mais de 1,8 vezes o rendimento de um ano.
O esforço financeiro também é mais elevado nesta faixa etária. Os pagamentos dos créditos absorviam, em termos medianos, 17% do rendimento líquido anual, acima dos 15% registados no conjunto das famílias endividadas.
DECO disponibiliza apoio às famílias endividadas
Perante as dificuldades de gestão dos orçamentos familiares e as situações de sobre-endividamento, a DECO mantém o acompanhamento especializado através do seu Gabinete de Proteção Financeira.
A associação presta aconselhamento na organização das finanças pessoais, na renegociação e reorganização de créditos e na procura de soluções para famílias que enfrentam dificuldades em cumprir os seus compromissos financeiros.
A DECO alerta, na sua informação institucional, para a pressão persistente sobre os orçamentos familiares, associada aos encargos com habitação, energia, alimentação e crédito, defendendo a importância da prevenção e da literacia financeira.
Os consumidores que necessitem de apoio podem contactar o Gabinete de Proteção Financeira através do telefone 213 710 238 ou do endereço de correio eletrónico protecaofinanceira@deco.pt.
A redução do número de famílias endividadas face a 2020 representa uma evolução positiva, mas os números mostram que o crédito continua a pesar de forma expressiva na vida de milhões de portugueses, sobretudo nas famílias em idade ativa.



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