Com a chegada do Halloween, várias escolas religiosas em Portugal estão a apostar numa forma diferente de assinalar esta data. Em vez das tradicionais máscaras de bruxas, fantasmas e monstros, propõem às crianças que escolham um santo ou uma santa e se apresentem vestidas como essa figura, numa iniciativa que pretende recuperar o significado cristão da véspera do Dia de Todos os Santos.
A iniciativa, que tem vindo a ganhar expressão em vários contextos educativos de inspiração católica, procura colocar a santidade, os exemplos de vida e os valores cristãos no centro das celebrações. Mais do que uma simples alternativa aos disfarces tradicionais, pretende dar a conhecer às crianças figuras inspiradoras, promovendo valores como a bondade, a generosidade, a solidariedade e a fé.
No centro desta discussão está também a forma como o Halloween tem vindo a ganhar popularidade em Portugal. Para algumas instituições religiosas, a celebração transformou-se numa festa de inspiração comercial, importada e afastada do verdadeiro significado histórico da data. O diretor do Colégio São João de Brito resume esta posição com uma afirmação que não deixa dúvidas: «O Halloween é que é uma contra festa».
A expressão remete para a origem do próprio nome Halloween, que deriva de All Hallows’ Eve, expressão inglesa que significa «Véspera de Todos os Santos». A celebração está historicamente relacionada com a solenidade cristã de Todos os Santos, assinalada a 1 de novembro, embora também tenha raízes em antigas tradições celtas, nomeadamente no Samhain, e tenha adquirido, ao longo dos séculos, características próprias.
Em Portugal, esta época está igualmente ligada a uma tradição popular muito antiga: o Pão por Deus. Celebrado tradicionalmente na manhã de 1 de novembro, consiste na saída das crianças à rua para pedir pão, bolos, frutos secos e outras ofertas, muitas vezes acompanhadas de quadras populares. Um costume associado à partilha, à solidariedade e à memória dos que já partiram.
A discussão em torno destas celebrações não é recente. Nos últimos anos, representantes da Igreja e responsáveis educativos têm defendido a importância de preservar as tradições e explicar às gerações mais novas o significado do Dia de Todos os Santos, sem que isso implique necessariamente ignorar outras manifestações culturais.
Entre bruxas e santos, doces e Pão por Deus, a questão passa também pela transmissão de valores e pela forma como as escolas escolhem assinalar esta época do ano. Para os estabelecimentos de inspiração cristã que promovem estas iniciativas, a mensagem é clara: celebrar a vida, conhecer exemplos de santidade e mostrar às crianças que também há espaço para a alegria, a criatividade e a fantasia através de figuras que marcaram a história.



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