Técnica minimamente invasiva, conhecida como TAVI, foi introduzida no final de fevereiro e permite tratar doentes com problemas na válvula aórtica sem necessidade de abertura do tórax.
O Hospital de Braga atingiu a marca de 100 implantes de válvulas aórticas por via percutânea, apenas oito meses depois de ter iniciado este procedimento. O centésimo tratamento foi realizado esta semana pelo Serviço de Cardiologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga.
A técnica, conhecida internacionalmente como TAVI (Transcatheter Aortic Valve Implantation), foi introduzida na instituição no final de fevereiro de 2026 e permite substituir uma válvula aórtica doente por uma prótese, através de um cateter introduzido, na maioria dos casos, pela artéria femoral, na região da virilha.
Este procedimento destina-se sobretudo a pessoas com estenose aórtica, uma doença que provoca o estreitamento e endurecimento da válvula responsável pela passagem do sangue do coração para a artéria aorta.
A doença obriga o coração a realizar um esforço acrescido para bombear o sangue e pode provocar sintomas como falta de ar, cansaço durante o esforço físico, dores no peito e episódios de desmaio. Quando não é tratada, pode evoluir e comprometer significativamente a qualidade de vida dos doentes.
Alternativa menos invasiva à cirurgia convencional
Uma das principais vantagens da TAVI é permitir a substituição da válvula sem necessidade de cirurgia cardíaca aberta ou de abertura do tórax.
Esta abordagem representa uma alternativa particularmente importante para doentes mais idosos ou com outras patologias associadas, para quem uma cirurgia convencional poderá representar riscos acrescidos.
Segundo a ULS de Braga, o programa registou um crescimento consistente desde a sua implementação, tendo a capacidade de resposta regular sido determinante para alcançar os 100 procedimentos realizados em oito meses.
Trabalho de equipa multidisciplinar
O diretor do Serviço de Cardiologia da ULS de Braga, Jorge Marques, atribui este resultado ao «rigor e à dedicação» dos profissionais envolvidos, destacando o empenho e o profissionalismo da equipa ao longo da implementação e consolidação do programa.
Cada intervenção implica um trabalho multidisciplinar, que começa na avaliação clínica e na análise individual de cada caso e continua no acompanhamento do doente após o procedimento.
«Cada caso é estudado ao pormenor antes da intervenção», sublinha Jorge Marques, acrescentando que a recuperação da capacidade funcional dos doentes constitui uma das principais motivações da equipa.
Com a realização do centésimo implante, a ULS de Braga reforça a sua capacidade de resposta na área das doenças cardiovasculares, disponibilizando aos utentes da região uma técnica diferenciada e menos invasiva para o tratamento da estenose aórtica.



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