Sebastião Bugalho falha eleição para vice-presidente do PPE e Portugal perde lugar na liderança da bancada
Eurodeputado do PSD assume responsabilidade pelo resultado, que deixa Portugal sem representantes na vice-presidência do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu. A eleição ficou também marcada por divergências internas e por um alegado email falso contra a candidatura portuguesa.
Sebastião Bugalho falhou a eleição para vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE), realizada na terça-feira, em Estrasburgo. O resultado deixa a delegação portuguesa do PSD sem representação na liderança da bancada, situação que não se verificava desde 2009.
O eurodeputado português, que é também vice-presidente e porta-voz do PSD, avançou para a eleição como candidato do partido, substituindo Lídia Pereira, que ocupava o cargo desde 2024. A candidatura pretendia dar continuidade à presença portuguesa na direção da maior força política do Parlamento Europeu.
Após conhecer o resultado, Sebastião Bugalho assumiu a responsabilidade pela derrota. «Foi uma candidatura pessoal e é, por isso, um resultado exclusivamente pessoal», afirmou numa nota enviada à agência Lusa.
Manfred Weber mantém controlo da bancada
A eleição serviu igualmente para renovar a liderança do grupo parlamentar do PPE, família política europeia que integra o PSD e o CDS-PP. O alemão Manfred Weber foi reconduzido na presidência, mantendo-se à frente da bancada para mais um mandato.
Na eleição das vice-presidências, os eurodeputados optaram por manter nove dos dez vice-presidentes anteriores, com a substituição de Lídia Pereira pela húngara Eszter Lakos, do partido Tisza.
A candidatura de Bugalho enfrentou dificuldades relacionadas com o equilíbrio de género na composição da direção, que prevê que pelo menos quatro das dez vice-presidências sejam ocupadas por mulheres. A entrada de um candidato masculino obrigaria à substituição de outro vice-presidente homem para garantir esse equilíbrio.
A decisão de avançar com Bugalho em vez de manter Lídia Pereira acabou, assim, por alterar a estratégia portuguesa e abriu caminho à escolha de uma candidata húngara para o lugar.
Candidatura marcada por tensões internas
A campanha para a eleição decorreu num ambiente de divergências dentro do PPE. Segundo informações divulgadas pelo Observador, a candidatura portuguesa enfrentou oposição de setores próximos de Manfred Weber, que pretendiam preservar a composição anterior da direção.
Outro episódio que marcou o processo foi a circulação de um email alegadamente enviado pelo eurodeputado polaco Andrzej Halicki, com críticas à candidatura de Sebastião Bugalho e um apelo para que não fosse eleito.
Halicki negou ser o autor da mensagem. O Parlamento Europeu confirmou que estava a investigar o caso, depois de os seus serviços terem concluído que o email não era autêntico. Também as autoridades belgas foram envolvidas na investigação, segundo informações divulgadas pela imprensa.
Não foi estabelecida publicamente, nas informações consultadas, a autoria da mensagem.
Portugal perde um cargo ocupado durante vários mandatos
A derrota representa um revés para a representação portuguesa no grupo parlamentar do PPE, uma vez que o país perde um lugar na estrutura de liderança que vinha mantendo desde 2009.
Antes de Lídia Pereira, a vice-presidência foi ocupada durante vários anos por Paulo Rangel, atual ministro dos Negócios Estrangeiros, que desempenhou essas funções entre 2009 e 2024.
Apesar de Portugal continuar representado no grupo parlamentar através dos seus eurodeputados, a ausência de um representante na vice-presidência reduz a presença nacional na estrutura responsável pela coordenação política da bancada.
O resultado constitui, assim, um desafio político para o PSD no contexto europeu, numa altura em que o partido procurava reforçar a influência portuguesa dentro da maior família política do Parlamento Europeu.



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