Líder do Chega responsabiliza a entrada de imigrantes por parte da crise habitacional e promete apresentar um pacote legislativo de emergência. Estudos sobre o mercado imobiliário apontam, contudo, para vários fatores, com destaque para a falta de oferta de habitação.
André Ventura, presidente do Chega, afirmou que a entrada de imigrantes em Portugal contribuiu para o aumento dos preços das casas, numa altura em que a crise habitacional está no centro do debate político nacional.
O líder partidário considera que a chegada de pessoas vindas do estrangeiro aumentou a procura por habitação, agravando as dificuldades sentidas por muitas famílias para comprar ou arrendar casa.
A posição foi reiterada a 18 de outubro, na sequência das manifestações realizadas em várias cidades portuguesas contra o aumento dos custos da habitação. Na ocasião, Ventura responsabilizou também o anterior Governo de António Costa, argumentando que a entrada de cerca de 1,6 milhões de pessoas em Portugal contribuiu para a pressão sobre o mercado imobiliário.
Chega promete medidas de emergência para a habitação
Perante o agravamento das dificuldades no acesso à habitação, André Ventura anunciou que o Chega pretende apresentar um pacote legislativo de emergência destinado a responder à subida dos preços das casas e das rendas.
Entre as propostas avançadas pelo dirigente estão a reavaliação dos benefícios fiscais concedidos a pessoas com elevado poder económico para comprar habitação em Portugal, alterações ao Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e um aumento de 50% nas deduções de IRS relativas às rendas e ao crédito à habitação.
Ventura criticou ainda a resposta do Governo à crise habitacional, defendendo que o problema deve ser tratado como uma prioridade nacional.
O que dizem os estudos sobre a subida dos preços?
A relação entre imigração e preços da habitação é uma questão complexa, que exige considerar vários fatores económicos e demográficos.
Um estudo divulgado pelo Banco de Portugal, em junho de 2026, concluiu que os preços das casas mais do que duplicaram em 157 municípios portugueses entre 2017 e 2025. As maiores valorizações foram registadas em concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, da Área Metropolitana do Porto e da Península de Setúbal.
A análise do banco central destaca a importância da oferta de habitação para explicar a evolução dos preços. Quando a procura aumenta e a construção de novas casas não acompanha esse crescimento, os preços tendem a subir, sobretudo nos municípios onde existe menor capacidade para aumentar a oferta.
O estudo refere ainda que a procura pode ser influenciada por diversos fatores, entre os quais a migração, o crescimento do número de agregados familiares, os rendimentos, as condições de financiamento, a fiscalidade e o turismo. Segundo a análise, um aumento de 1% na procura de habitação está associado a uma subida de cerca de 0,69% nos preços das casas e de 0,37% nas rendas.
Por outro lado, uma investigação sobre a evolução do mercado imobiliário português entre 2000 e 2025, publicada na revista científica Economies, concluiu que o crescimento económico e a quebra prolongada da construção ajudam a explicar a escalada dos preços. Nesse estudo, a imigração não apresentou um impacto estatisticamente significativo nos preços da habitação no modelo analisado.
Os resultados mostram que não existe uma explicação única para a crise habitacional e que o peso de cada fator depende das condições do mercado e da capacidade de resposta da oferta.
Habitação continua no centro do debate político
A declaração de André Ventura surge num momento de crescente preocupação com os custos de comprar ou arrendar casa em Portugal, num contexto de forte valorização imobiliária e dificuldades de acesso à habitação, sobretudo nas zonas urbanas com maior pressão da procura.
O tema tem gerado divergências entre os partidos quanto às causas do problema e às medidas necessárias para o resolver. Enquanto o Chega coloca a imigração entre os fatores centrais, os estudos disponíveis salientam também a escassez de oferta, a evolução dos rendimentos e outras dinâmicas económicas.
A discussão deverá continuar a marcar o debate político, com a habitação a assumir um papel central nas preocupações das famílias e nas propostas dos partidos para responder ao aumento do custo de vida.



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