Ministro da Defesa assegura que o aeródromo militar continuará ao serviço do Exército, apesar do investimento de 500 milhões de euros associado à instalação de uma escola de pilotos da Lufthansa.
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, garantiu que o Aeródromo Militar de Tancos não vai perder a sua função militar, no âmbito do projeto de modernização da infraestrutura e da futura instalação de uma escola de pilotos da companhia aérea alemã Lufthansa.
“Obviamente que Tancos não vai perder o uso militar”, afirmou Nuno Melo, numa entrevista à SIC Notícias, na qual abordou o investimento previsto para a infraestrutura, associado ao processo de privatização parcial da TAP.
O projeto prevê um investimento global de 500 milhões de euros, envolvendo a Lufthansa e o Estado português, para a instalação de uma escola de pilotos e a modernização do aeródromo, incluindo a requalificação e o alargamento da pista, de forma a permitir também a operação de aviões comerciais.
Investimento reforça capacidade operacional do Exército
O Ministério da Defesa Nacional já esclareceu que a utilização civil da infraestrutura terá de ser compatível com a sua missão militar. O aeródromo, situado no concelho de Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém, é considerado estratégico para o Exército, nomeadamente para o treino e transporte de tropas paraquedistas.
Está igualmente previsto um investimento público de cerca de 50 milhões de euros, destinado sobretudo à requalificação da pista e ao reforço das condições operacionais da infraestrutura.
O projeto está também ligado ao desenvolvimento da Aviação Ligeira do Exército e à futura Unidade de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação, que deverá beneficiar das instalações modernizadas.
Segundo a tutela, a utilização civil poderá coexistir com as atividades militares, desde que não comprometa a missão principal do aeródromo.
Escola de pilotos deverá criar 200 postos de trabalho
A instalação da escola de pilotos da Lufthansa em Tancos deverá representar um novo impulso para a economia da região do Médio Tejo, com a criação prevista de cerca de 200 postos de trabalho.
A conclusão dos investimentos e a entrada em funcionamento do projeto estão apontadas para 2029 ou 2030. Contudo, alguns detalhes relativos ao modelo de gestão da infraestrutura e à repartição dos investimentos permanecem por esclarecer.
Nuno Melo afastou ainda críticas relacionadas com a transparência dos investimentos na Defesa, considerando que o projeto representa uma oportunidade para modernizar as capacidades militares nacionais, sem abdicar da utilização estratégica de Tancos pelo Exército.
A coexistência entre as atividades civis e militares será, assim, um dos aspetos centrais do desenvolvimento do projeto.



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