A União Geral de Trabalhadores (UGT) defende que o salário mínimo nacional deve atingir os 1000 euros já a partir de janeiro de 2027, propondo uma revisão em alta do valor previsto no acordo de concertação social.
A posição foi apresentada esta quarta-feira pelo secretário-geral da UGT, Mário Mourão, após uma reunião da Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS), que contou com a presença do ministro das Finanças, no âmbito da preparação do Orçamento do Estado para 2027.
“Fizemos uma proposta para que o salário mínimo fosse, no mínimo, de 1000 euros” no próximo ano, afirmou o dirigente sindical, citado pela agência Lusa e pela Executive Digest.
Aumento de 80 euros face ao salário atual
O salário mínimo nacional está atualmente fixado nos 920 euros brutos mensais, valor em vigor desde janeiro de 2026. De acordo com o acordo de rendimentos assinado entre o Governo, a UGT e as confederações patronais, estava previsto um aumento de 50 euros em 2027, para os 970 euros.
A proposta da UGT representa, assim, um aumento adicional de 30 euros face ao valor inicialmente acordado e uma subida de 80 euros relativamente ao salário mínimo atualmente em vigor.
A central sindical considera que existem condições económicas para uma valorização mais significativa dos rendimentos dos trabalhadores, defendendo que a evolução positiva de vários indicadores deve refletir-se nos salários.
Governo admite revisão do valor previsto
A discussão sobre o salário mínimo para 2027 ganhou força depois de o secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, ter defendido que já deveria estar a ser negociada uma revisão em alta do valor acordado.
O governante afirmou que o Governo está disponível para procurar um novo entendimento com os parceiros sociais, tendo em conta a evolução da economia, da inflação, da produtividade, do emprego e dos salários.
Já a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, tem sublinhado que o Governo pretende cumprir o acordo existente, embora não tenha fechado a porta a uma eventual revisão negociada.
Patrões contestam aumento acima dos 970 euros
Do lado empresarial, a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) manifestou reservas relativamente a uma subida superior aos 970 euros previstos para 2027.
O presidente da CIP, Armindo Monteiro, considera que não estão reunidas as condições para alterar o compromisso assumido, apontando para uma evolução da produtividade inferior às metas inicialmente estabelecidas.
A posição dos empregadores contrasta com as reivindicações sindicais, que insistem na necessidade de aumentar o poder de compra dos trabalhadores perante os custos da habitação, alimentação e energia.
Debate promete marcar concertação social
A proposta da UGT será discutida no âmbito da concertação social, onde Governo, sindicatos e confederações patronais terão de procurar um entendimento sobre o valor final da remuneração mínima garantida para 2027.
Entretanto, outras estruturas sindicais apresentam reivindicações ainda mais elevadas. A Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP), afeta à UGT, defende um salário mínimo de 1050 euros no próximo ano, enquanto a CGTP tem reclamado medidas salariais mais abrangentes para fazer face ao aumento do custo de vida.
A decisão final deverá resultar das negociações entre os parceiros sociais e o Governo, sendo que o valor atualmente previsto de 970 euros poderá ainda ser revisto antes da entrada em vigor do novo salário mínimo, em janeiro de 2027.



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