Líder do Chega publicou esta terça-feira uma mensagem nas redes sociais em que interpreta declarações de uma mulher cigana como uma ameaça dirigida a mães que se manifestem contra alegados episódios de violência nas escolas.
André Ventura voltou esta terça-feira a colocar a comunidade cigana no centro do debate político, através de uma publicação nas redes sociais em que acusa uma mulher cigana de estar a admitir que mães que protestem junto de uma escola contra alegados episódios de violência poderão ser também alvo de agressões.
“O que esta cigana quer dizer é isto: as mães que forem lá à escola protestar contra a violência que os ciganos cometem contra outros miúdos, vão levar também!”, escreveu o presidente do Chega numa publicação feita no Facebook e no X.
Na mesma mensagem, Ventura acrescentou: “Dizem-no abertamente! E nós continuamos a pensar que se dissermos alguma coisa é racismo…!”
A publicação surge acompanhada de um vídeo que o líder do Chega apresenta como suporte da sua interpretação. O conteúdo disponível nas redes sociais confirma a existência da publicação e do vídeo, mas não permite, por si só, confirmar integralmente o contexto das declarações da mulher nem a interpretação feita por Ventura.
Ventura volta a centrar discurso na comunidade cigana
A publicação insere-se num discurso que André Ventura tem mantido ao longo dos últimos anos sobre criminalidade, segurança e integração das comunidades ciganas.
Mais recentemente, a questão esteve também no centro de uma polémica judicial relacionada com cartazes da campanha presidencial de Ventura dirigidos à comunidade cigana. Em março de 2026, o Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a decisão de ordenar a retirada desses cartazes, tendo Ventura anunciado que iria recorrer para o Tribunal Constitucional. O líder do Chega argumentou então que estava em causa a liberdade de expressão e política.
Na altura, o Ministério Público tinha considerado que o conteúdo dos cartazes não constituía incitamento ou ameaça contra minorias, posição que Ventura contrapôs à decisão dos tribunais cíveis.
Debate sobre violência nas escolas
A nova intervenção de Ventura surge também num momento de regresso às aulas e de discussão pública sobre segurança e violência em contexto escolar.
O ano letivo 2026/2027 arrancou em setembro e tem sido acompanhado por vários debates relacionados com as condições das escolas e a segurança da comunidade educativa. O calendário escolar previa o início do primeiro período entre 11 e 15 de setembro.
Na publicação agora divulgada, Ventura relaciona alegados episódios de violência envolvendo alunos ciganos com a reação de mães de outros alunos, sustentando que estas poderão ser intimidadas caso protestem junto das escolas.
Contudo, não foram encontradas, na pesquisa realizada, fontes jornalísticas independentes que confirmem a existência de um episódio concreto com os contornos descritos por Ventura, nem informação suficiente para determinar a escola, localidade ou identidade da mulher que surge no vídeo.
A afirmação deve, por isso, ser entendida como a interpretação e acusação política feita pelo líder do Chega, e não como um facto independentemente confirmado.
Uma questão que reacende a polémica
A publicação deverá reacender o debate em torno da forma como a violência, a segurança escolar e a comunidade cigana são abordadas no discurso político português.
Ventura tem defendido que denunciar situações de criminalidade ou violência envolvendo membros da comunidade cigana não deve ser automaticamente classificado como racismo. Ao mesmo tempo, os seus críticos têm acusado o líder do Chega de generalizar comportamentos individuais a toda uma comunidade.
A discussão volta agora a ganhar expressão nas redes sociais, tendo como ponto de partida um vídeo cuja origem e contexto completo não estão, até ao momento, suficientemente esclarecidos por fontes independentes.



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