O presidente da Associação Nacional de Revendedores de Energia, Combustíveis, Estações de Serviço, João Durão, acusou esta sexta-feira o Governo de estar a “ganhar dinheiro com os combustíveis” e de “mentir aos portugueses” sobre a carga fiscal aplicada aos preços praticados em Portugal.
As declarações foram feitas aos jornalistas num posto de abastecimento de combustíveis em Lanhelas, no concelho de Caminha, onde o responsável voltou a denunciar as dificuldades enfrentadas pelos revendedores portugueses perante a concorrência espanhola.
João Durão exigiu ainda “mais fiscalização” para travar aquilo que considera ser um verdadeiro “contrabando” diário de consumidores portugueses que atravessam a fronteira para abastecer os veículos em Espanha, onde os combustíveis apresentam preços significativamente mais baixos.
“O Governo tem de baixar a carga fiscal sobre os combustíveis”, defendeu o presidente da associação, alertando que as empresas portuguesas estão a perder competitividade de forma “exagerada” face ao mercado espanhol.
Segundo João Durão, a diferença está sobretudo nos impostos cobrados em Portugal. “Num euro de gasóleo, 60 cêntimos são impostos. Em Espanha nada disso se passa”, afirmou.
O dirigente considera que a atual política fiscal está a penalizar não apenas os consumidores, mas também os postos de abastecimento nacionais, sobretudo os que operam junto à fronteira, que enfrentam uma quebra significativa no movimento devido à fuga de clientes para Espanha.
As críticas surgem num momento de crescente contestação aos preços dos combustíveis em Portugal, com associações do setor a exigirem medidas concretas ao Governo para reduzir a carga fiscal e garantir maior equilíbrio competitivo face aos países vizinhos.



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