Alerta: Burlão faz-se passar por agente da Judiciária de Braga

Falsa burla usada como isco para burla real. PJ alerta para novo esquema em circulação

A Polícia Judiciária lançou um alerta público para um novo esquema fraudulento que está a ganhar terreno em Portugal e que aposta na confusão como arma principal. A abordagem é simples na forma, mas sofisticada na intenção: o contacto começa com a alegação de que a vítima já está a ser burlada. A partir daí, tudo descamba.

Segundo o comunicado divulgado esta semana, o esquema tem sido reportado através de vários canais. Email, chamadas telefónicas e mensagens no WhatsApp. O discurso varia ligeiramente, mas o objetivo é sempre o mesmo. Criar alarme, pressionar, levar a decisões rápidas. E, no fim, extorquir dinheiro.

O burlão apresenta-se como André Santos, dizendo ser “agente da PJ”, com um suposto crachá número 28374. Afirma exercer funções no Centro de Investigação Criminal de Braga, como investigador principal. Nenhuma destas designações existe. Tudo falso, sublinha a PJ.

Durante o contacto, o suspeito tenta convencer o cidadão de que a sua conta bancária está a ser usada indevidamente por terceiros. Surge então um nome para reforçar a narrativa. Carlos Boleiro, alegadamente procurado pela Interpol, teria tentado obter crédito em nome da vítima. Mais uma vez, nada disto corresponde à realidade.

O elemento que torna a história mais credível, e perigosa, é outro. O burlão já possui alguns dados pessoais da vítima. Nome, contacto telefónico, instituição bancária. Informação suficiente para gerar desconfiança e, ao mesmo tempo, medo.

A conversa evolui rapidamente para a recolha de mais dados sensíveis e para a tentativa de pagamentos, normalmente através de entidade e referência. Quando encontra resistência, o tom muda. O discurso endurece. O suspeito ameaça com uma notificação para comparecer no Departamento de Investigação Criminal de Braga.

Em vários casos, são enviados documentos falsos. Um alegado Mandado de Comparência em nome da vítima e até uma fotografia de um cartão de identificação da PJ, também ele falso. As ameaças tornam-se explícitas. “Se não colaborar, passa de queixosa a arguida” ou “vai ser expedida uma notificação de comparência”. Frases pensadas para intimidar.

A Polícia Judiciária é clara nas recomendações. Não acreditar, não ceder, cortar de imediato a comunicação. Em caso de dúvida, fazer perguntas, muitas perguntas, e contactar diretamente os serviços oficiais da PJ para reportar a situação.

A mensagem final é quase um desafio coletivo. Só com atenção e partilha de informação é possível travar este tipo de esquemas. A criatividade dos burlões cresce, mas a capacidade de os desmascarar também. E essa, lembra a PJ, depende de todos.

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