PS vota contra o relatório de contas do executivo PSD em Vila Verde

PS acusa Executivo de Vila Verde de falhar na execução e desmonta “narrativa de sucesso” do Relatório e Contas 2025

O Partido Socialista de Vila Verde deixou críticas duras ao Executivo municipal durante a Assembleia Municipal, ao considerar que o Relatório e Contas de 2025 apresenta uma imagem “enganosa e distorcida” da realidade do concelho. A análise foi feita pelo deputado municipal Jorge Gonçalves, que falou num município com folga financeira mas sem capacidade de transformar recursos em respostas concretas.

Segundo o socialista, o documento descreve um concelho em crescimento equilibrado, com obra feita e contas sólidas. Os números, garante, contam outra história. “Temos uma Câmara rica em ouro… e pobre em sonhos tornados realidade”, afirmou, apontando para um saldo de gerência de cerca de 28 milhões de euros coexistindo com níveis de execução cada vez mais baixos.

De acordo com os dados apresentados, a execução da despesa de capital em 2025 ficou-se pelos 33 por cento, com apenas 13,5 milhões de euros executados face a 41 milhões previstos. Uma tendência que, segundo Jorge Gonçalves, se vem agravando: 57 por cento em 2023, 43 por cento em 2024, 33 por cento em 2025 e apenas 4,2 por cento no primeiro trimestre de 2026. “Isto não é um acaso, é um padrão. Um município não existe para acumular saldo, existe para resolver problemas”, sublinhou.

A área da habitação foi um dos exemplos mais criticados. Num orçamento que previa cerca de meio milhão de euros, a execução ficou-se pelos 12 mil euros. Para o PS, o contraste é ainda mais grave num contexto de programas nacionais com financiamento elevado. “Os vilaverdenses precisam de casas dignas, não de espetáculo”, disse o deputado, falando numa oportunidade perdida.

Também na mobilidade sustentável, o cenário é de execução nula. Apesar de estarem previstos 1,7 milhões de euros, não foi concretizada qualquer intervenção. “Num concelho com problemas evidentes de trânsito, não há uma única solução no terreno”, lamentou.

No abastecimento de água e saneamento, as diferenças entre o previsto e o executado foram classificadas como “chocantes”. Após revisão orçamental, estavam previstos 6,7 milhões de euros para água, com apenas 1 milhão executado. No saneamento, de 7,6 milhões previstos, foram executados 1,5 milhões. “Estamos a orçamentar sem intenção real de executar. São diferenças de 600 por cento”, acusou.

Jorge Gonçalves questionou ainda a política de receitas do Município, defendendo que se cobra quase tudo, mas se devolve pouco à população em forma de investimento. “Talvez esse dinheiro estivesse melhor nas mãos das famílias e das empresas”, atirou.

No plano político e comunicacional, o PS falou em “muito palco e pouca execução”. O deputado apontou a escassa intervenção pública do Executivo ao longo do mandato e criticou a forma como problemas concretos são desvalorizados, enquanto cresce a comunicação institucional sem resultados visíveis. “Se houvesse menos tempo no palco e mais tempo na execução, os resultados seriam diferentes.”

A análise estendeu-se à economia local. Apesar do discurso oficial sobre atratividade, o próprio relatório reconhece a diminuição na instalação de novas empresas. Para o PS, é mais um sinal de que a narrativa não acompanha a realidade.

O Bairro Digital também foi alvo de críticas, com referência a atrasos, recalendarizações sucessivas e falta de dados concretos sobre impacto real. Jorge Gonçalves ironizou os investimentos em merchandising, mas deixou uma exigência clara: números, adesões, resultados mensuráveis. “É dinheiro público”, frisou.

Do ponto de vista financeiro, o PS mostrou preocupação com as reservas repetidas do Revisor Oficial de Contas, nomeadamente a ausência de inventários registados e a falta de controlo de ativos. “Se não há registo, não há controlo. Qual é o valor real dos inventários do Município? Alguém sabe?”, questionou.

Foram ainda pedidos esclarecimentos sobre a utilização de 1,7 milhões de euros em provisões e a constituição adicional de mais 1,6 milhões, sem que, segundo o deputado, exista explicação clara no relatório.

No final da intervenção, Jorge Gonçalves foi direto quanto ao sentido de voto da bancada socialista. “Este relatório mostra um município com dinheiro… mas sem resposta. Não podemos validar este caminho. O nosso voto é contra.”

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