PS de Vila Verde questiona modelo de transportes públicos e alerta para aumento de custos e falhas de cobertura
O Partido Socialista de Vila Verde levantou várias reservas ao modelo de mobilidade em transportes públicos apresentado pelo executivo municipal, apontando um aumento significativo dos encargos financeiros, ausência de cobertura regular em várias freguesias e falta de uma visão estratégica para responder às necessidades do concelho.
A posição foi assumida durante a análise do Ponto 4.4 da Assembleia Municipal de Vila Verde, pelo deputado municipal Carlos Araújo, da bancada do Partido Socialista. O eleito começou por sublinhar que o PS apoia o princípio da melhoria dos transportes públicos, mas considera que o modelo proposto é insuficiente e desequilibrado.
Aumento de encargos sem explicação clara
Com base no mapa de compromissos financeiros plurianuais, Carlos Araújo destacou que, em 2025, o município assume cerca de 25 mil euros com o protocolo atualmente em vigor, passando para 64 mil euros em 2028, ano de arranque do novo modelo. Um aumento próximo dos 80%.
“Qual é a justificação para este crescimento tão elevado do encargo municipal?”, questionou, acrescentando que não está claro se haverá um aumento proporcional de rotas ou de quilómetros que sustente esse valor.
Atualização anual acima da inflação
Outra das críticas prende-se com a atualização anual prevista de 5,5%. Para o PS, este valor não encontra respaldo na realidade económica recente. “Nem hoje, nem nos últimos anos, a inflação esteve neste patamar. Qual é a lógica de assumir este nível de atualização?”, perguntou o deputado socialista.
Freguesias sem transporte fora do período escolar
Carlos Araújo alertou ainda para o facto de várias freguesias ficarem sem qualquer transporte público fora do período escolar, uma situação que classificou como inaceitável. Na sua perspetiva, não pode haver cidadãos com acesso a serviço e outros completamente isolados.
“Não podemos falar em combate à desertificação se não garantirmos um serviço básico de mobilidade às populações”, afirmou.
Preços continuam elevados para os utilizadores
Segundo o PS, continuam a chegar relatos de utilizadores que consideram os preços demasiado altos, apesar dos protocolos e comparticipações públicas existentes. Para Carlos Araújo, esta é uma questão que deve ser revista no contrato.
“Não basta criar rotas. É essencial que as pessoas consigam pagar o serviço”, frisou.
Proposta estrutural passa pela ligação a Braga
Como alternativa, o PS apresentou uma proposta de caráter estrutural, defendendo o alargamento dos Transportes Urbanos de Braga às pontes de Prado e do Bico. A ideia passa por criar um percurso estruturado entre Prado, Lage, Moure, Turiz, Vila Verde, Loureira e Soutelo, nos dois sentidos.
O deputado socialista defende frequências de 15 a 30 minutos nas horas de ponta e horários regulares ao longo do dia. “Seria uma solução eficaz, com capacidade instalada, preços controlados e impacto real na redução do tráfego para Braga”, considerou.
Município deve assegurar rotas internas
O PS entende ainda que o município deve garantir rotas internas de ligação às zonas de passagem dos TUB, admitindo a gestão direta do serviço ou a subcontratação através de uma empresa municipal, solução que deverá ser avaliada num estudo técnico.
Voto favorável, mas com críticas
Apesar das reservas, a bancada socialista anunciou voto favorável ao ponto. Ainda assim, deixou um aviso claro. “Este modelo não resolve o problema da mobilidade em Vila Verde. Não reduz o fluxo de carros, não serve as populações e não responde às necessidades reais do concelho”, concluiu Carlos Araújo.