Montenegro acusa Carneiro de querer “ser o mais chegano dos deputados socialistas”
O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, desafiou esta quarta-feira o Governo a aplicar, ainda que de forma temporária, o IVA zero sobre o cabaz alimentar de bens essenciais, como resposta ao aumento do custo de vida.
A proposta foi apresentada durante o debate quinzenal no Parlamento, onde o líder socialista sublinhou que os portugueses estão a enfrentar um agravamento significativo das despesas. Segundo afirmou, desde o início do ano o custo do cabaz alimentar aumentou cerca de 19 euros, podendo atingir um acréscimo de 45 euros quando considerados vários bens essenciais.
“Está ou não disponível para que, mesmo transitoriamente, possamos adotar o IVA zero sobre o cabaz dos bens essenciais à vida das famílias?”, questionou diretamente o socialista, defendendo medidas urgentes para aliviar a pressão financeira sobre os agregados familiares.
Na resposta, o primeiro-ministro Luís Montenegro criticou a proposta e lançou uma provocação política, acusando Carneiro de querer “ser o mais chegano dos deputados socialistas”, numa alusão às posições defendidas pelo Chega.
Montenegro estabeleceu uma comparação entre as propostas do PS e do Chega, referindo que ambos defendem medidas como o IVA zero no cabaz alimentar, a redução do IVA na energia e a diminuição dos impostos sobre combustíveis. Ainda assim, sublinhou que o Governo tem uma visão diferente sobre a forma de responder às dificuldades económicas.
“Temos a mesma sensibilidade perante as dificuldades que as pessoas e as empresas sentem, mas visões distintas sobre como ultrapassar essa situação”, afirmou.
O primeiro-ministro criticou ainda as declarações do líder socialista sobre a política fiscal aplicada aos combustíveis, considerando que não foram “sérias” e apelando à correção dessa posição.
Durante a sua intervenção inicial, José Luís Carneiro acusou o executivo de ir no sentido contrário ao esperado, apontando o aumento de 2,3 cêntimos por litro no gasóleo, decorrente da redução do desconto extraordinário do ISP.
O debate evidenciou divergências profundas entre Governo e oposição quanto às soluções para mitigar o impacto da inflação, num contexto de crescente pressão sobre o custo de vida das famílias portuguesas.