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“Dois capitães do mesmo navio afundado”: Paulo Ralha dispara contra Filipe Melo e Carlos Barbosa

Candidato à Distrital de Braga defende que a única mudança possível passa pela sua candidatura e afirma que a atual crise interna resulta de anos de centralização do poder, perseguições políticas e afastamento de militantes. Em entrevista ao Semanário VOX, o Gabinete de Candidatura de Paulo Ralha apresenta cinco pilares programáticos da sua candidatura: credibilizar…

“Dois capitães do mesmo navio afundado”: Paulo Ralha dispara contra Filipe Melo e Carlos Barbosa

Candidato à Distrital de Braga defende que a única mudança possível passa pela sua candidatura e afirma que a atual crise interna resulta de anos de centralização do poder, perseguições políticas e afastamento de militantes.

Em entrevista ao Semanário VOX, o Gabinete de Candidatura de Paulo Ralha apresenta cinco pilares programáticos da sua candidatura: credibilizar o partido no distrito, dar autonomia às concelhias, abrir o partido à participação dos militantes, apresentar soluções para os principais problemas do distrito de Braga e escolher representantes com base no mérito.

“Há uma divisão real”

Questionado sobre se o CHEGA Braga atravessa uma divisão profunda ou apenas um debate democrático entre candidaturas, Paulo Ralha responde afirmativamente, embora considere que a divisão não resulta da existência de várias listas, mas da forma como a estrutura distrital foi conduzida nos últimos anos.

Segundo o candidato, Filipe Melo e Carlos Barbosa representam “a mesma escola política” e disputam “o controlo do mesmo aparelho”, defendendo que a sua candidatura constitui “a única alternativa verdadeiramente exterior ao aparelho”.

Acusações de centralização e perseguições

Ao longo das respostas enviadas ao VOX, Paulo Ralha sustenta que existiram situações de centralização de poder, afastamento de militantes, destituição de dirigentes concelhios e um clima interno de intimidação.

O candidato afirma que essas situações são “reais, verificáveis e dolorosamente concretas”, apontando como exemplo o caso de Fernando Feitor, antigo dirigente de Vila Verde, considerando tratar-se apenas do caso mais conhecido de um fenómeno que, na sua perspetiva, se repetiu em vários concelhos do distrito.

Críticas dirigidas a Filipe Melo e Carlos Barbosa

Grande parte das respostas é dirigida às restantes candidaturas.

Relativamente a Filipe Melo, Paulo Ralha considera que representa “a continuidade sem disfarces” do atual modelo de funcionamento da Distrital.

Quanto a Carlos Barbosa, vai mais longe, acusando-o de representar “a ilusão de renovação”, argumentando que presidiu à Mesa da Assembleia Distrital durante o período em que, segundo afirma, ocorreram muitos dos problemas que hoje critica.

A candidatura entende ainda que o silêncio então mantido por Carlos Barbosa constitui uma responsabilidade política que os militantes deverão avaliar no momento do voto.

“Não haverá represálias”

Apesar das críticas às restantes listas, Paulo Ralha garante que, caso seja eleito presidente da Distrital de Braga, procurará integrar todas as sensibilidades internas do partido.

Nas respostas remetidas ao VOX, assume o compromisso de que não existirão “caças às bruxas”, exclusões ou represálias políticas, defendendo que todas as concelhias deverão dispor de autonomia e que os dirigentes deverão ser escolhidos segundo critérios de mérito.

Prioridades

Entre as prioridades para um eventual mandato, Paulo Ralha destaca a recuperação da credibilidade institucional da Distrital, a autonomia das estruturas concelhias e a preparação atempada das próximas eleições autárquicas.

Defende igualmente reuniões abertas aos militantes, maior transparência nas decisões internas e mecanismos permanentes de consulta às bases.

Entrevista exclusiva ao Vox:

Considera que a atual campanha interna está a revelar uma divisão profunda no CHEGA Braga ou entende que se trata de um processo democrático normal entre diferentes candidaturas?

Há uma divisão real — mas os militantes precisam de compreender a sua verdadeira natureza para não serem enganados. O que se observa entre Filipe Melo e Carlos Barbosa não é uma divergência de projetos nem uma oposição de visões: é uma disputa fratricida entre figuras da mesma escola política pelo controlo do mesmo aparelho. Dois capitães do mesmo navio afundado a disputar o leme.

A fratura foi provocada por anos de uma gestão fechada que sufocou as concelhias, silenciou os militantes e afastou os melhores quadros do partido no distrito. O facto de existirem três candidaturas concorrentes é, em si mesmo, uma prova da vitalidade democrática das bases — que recusaram render-se e que exigem mais. Os que querem uma mudança genuína sabem que ela não virá de quem criou o problema. Virá da única alternativa verdadeiramente exterior ao aparelho: a candidatura de Paulo Ralha.

As acusações públicas de autoritarismo, centralização de poder, perseguições internas e afastamento de militantes correspondem a situações reais ou são apenas argumentos de campanha?

Correspondem a situações reais, verificáveis e dolorosamente concretas. Não recorremos a narrativas fabricadas; limitamo-nos a constatar o que está à vista de todos: autarcas que se afastaram, militantes que se desfiliaram, coordenadores concelhios destituídos por mera discordância política. Criou-se no distrito um clima de pensamento único, onde a crítica saudável era vista como traição e punida em conformidade.

O caso de Fernando Feitor, em Vila Verde — um dos rostos fundadores do partido no Norte — é apenas o exemplo mais visível de um padrão sistemático que se repetiu por todo o distrito. Há muitos outros nomes que o silêncio ainda protege, mas que os militantes conhecem bem.

Que factos concretos sustentam as alegações de que vários autarcas, vereadores e quadros do partido se afastaram da estrutura distrital devido à atuação da atual liderança?

Os factos falam por si, com uma eloquência que nenhum discurso de campanha consegue igualar. Estruturas locais que tentaram exercer a sua autonomia legítima foram pressionadas ou sumariamente substituídas. Autarcas eleitos pelo CHEGA viram-se em rota de colisão com a Distrital por recusarem subordinar os interesses dos seus municípios aos caprichos do aparelho. O padrão é inequívoco: quem não se sujeitou ao modelo de poder foi marginalizado.

Compreendemos e respeitamos profundamente os militantes e concelhias que hoje apoiam Carlos Barbosa — como se verifica visivelmente em Vila Verde — porque o fazem em busca legítima de liberdade e de novos caminhos. Mas é precisamente a esses militantes que dirigimos a pergunta mais importante desta campanha: Carlos Barbosa é o libertador ou é parte do problema? Esteve presente e conivente enquanto este aparelho funcionava. A sua ausência de voz crítica durante esse período não é irrelevante — é reveladora.

Aos dirigentes e eleitos que mantiveram a sua dignidade e que hoje procuram um caminho diferente, o nosso reconhecimento é genuíno. Mas a mudança real não pode nascer de quem ajudou a construir o sistema que os oprimiu. A mudança começa na nossa lista.

Existe atualmente algum processo disciplinar, de averiguação ou de jurisdição interna relacionado com dirigentes ou militantes da Distrital de Braga?

Não temos conhecimento de processos formais atualmente em instrução. O que se verificou, porém, foi algo ainda mais perturbador do que um processo formal: uma cultura de intimidação informal, de pressão silenciosa e de exclusão que dispensou trâmites estatutários — porque quem detinha o poder não precisava deles.

E aqui impõe-se uma constatação que os militantes não podem ignorar: a Mesa da Assembleia Distrital, presidida por Carlos Barbosa, tinha a obrigação estatutária e o dever moral de agir perante estas situações. A Mesa não é um órgão decorativo — é a última linha de defesa dos direitos dos militantes e a guardiã do cumprimento democrático das regras do partido. Perante perseguições informais, destituições cirúrgicas e o sufoco sistemático de concelhias inteiras, a Mesa presidida por Barbosa escolheu o silêncio. Esse silêncio tem um nome: omissão. E a omissão, em democracia, é uma forma de cumplicidade.

Como avaliam o impacto político e mediático dos episódios de conflito interno que têm sido tornados públicos nos últimos meses?

O impacto tem sido profundamente negativo e, em alguns momentos, verdadeiramente doloroso para quem ama este partido. A exposição mediática persistente associou a Distrital de Braga a episódios que colidem frontalmente com os valores fundacionais do CHEGA — com o que este partido representa para centenas de milhares de portugueses que nele depositaram a sua esperança de mudança.

Esta perceção de instabilidade crónica mina a credibilidade do partido junto do eleitorado e paralisa o seu crescimento no distrito. Uma estrutura dominada pelo compadrio e pela intolerância à crítica dificilmente inspirará a confiança dos cidadãos. É exatamente esse eleitorado desiludido — e há muito dele por reconquistar — que a Lista de Paulo Ralha se propõe alcançar com uma liderança limpa e com uma nova narrativa.

Consideram que a imagem pública do CHEGA em Braga foi afetada por estas divergências internas?

Sim, de forma inegável — e seria um exercício de má-fé negá-lo. Episódios graves, como o levantamento da imunidade parlamentar de um dirigente distrital, foram golpes duros na reputação do partido na nossa região. Muitos militantes e simpatizantes — pessoas que tinham orgulho em usar o nome do CHEGA — sentiram vergonha e afastaram-se.

A nossa candidatura assume a responsabilidade de inverter este declínio com trabalho, com seriedade e com a transparência que faltou. Para quem quer cortar definitivamente com estas polémicas, a mensagem é clara: o endereço da renovação é a Lista de Paulo Ralha, a partir do dia 5 de julho.

Quais são, em concreto, as principais diferenças políticas, estratégicas e organizativas entre as candidaturas lideradas por Filipe Melo, Carlos Barbosa e Paulo Ralha?

A linha de demarcação é nítida e merece ser dita com toda a clareza:

Filipe Melo representa a continuidade sem disfarces do modelo centralizador que gerou a crise atual. Pelo menos tem a coerência de não fingir que é outra coisa.

Carlos Barbosa representa algo mais complexo e, por isso, mais preocupante: a ilusão de renovação com os mesmos protagonistas. As suas promessas de abertura e democratização seriam admiráveis — se não fossem proferidas por quem presidiu durante anos à Mesa da Assembleia Distrital em silêncio absoluto enquanto o partido se afundava. Barbosa não chegou de fora; foi um pilar central do sistema que hoje critica. A questão que os militantes devem colocar é simples: se ele discordava, porque calou? E se concordava, porque mente agora?

A Lista de Paulo Ralha é a única candidatura que não carrega o peso deste passado. É a única que pode olhar nos olhos dos militantes afastados, dos simpatizantes desiludidos e do público em geral, e dizer com honestidade: não fomos parte do problema. Somos parte da solução.

A candidatura de Paulo Ralha acusa os restantes candidatos de representarem a continuidade do mesmo modelo interno. Como respondem a essa acusação?

Respondemos com a memória dos factos — que é longa e que não perdoa. Não é possível dissociar um candidato do caminho que percorreu nem das responsabilidades que assumiu. Carlos Barbosa integrou e liderou órgãos do aparelho durante o período em que todos os problemas que hoje denuncia se desenvolveram. O silêncio que manteve nesse período não é um pormenor biográfico — é o testemunho mais eloquente da sua real postura perante aquilo que acontecia.

Os antigos aliados de Filipe Melo que hoje migram para a lista de Barbosa fazem-no não por convicção renovada, mas por instinto de sobrevivência política. Os militantes têm memória e sabem distinguir uma conversão genuína de uma manobra de último recurso. Quem quer a mudança real não pode confiar o futuro a quem ajudou a construir o presente que quer deixar para trás.

Existem condições para que, após as eleições, as diferentes sensibilidades e listas concorrentes trabalhem em conjunto na estrutura distrital?

Absolutamente — e este é um compromisso de honra que assumimos perante todos os militantes, independentemente do sentido do seu voto. Sob a liderança de Paulo Ralha, não haverá caça às bruxas, exclusões ou represálias. O tempo dos muros e das fações termina no dia da votação.

Um CHEGA forte em Braga exige o contributo de todos — incluindo aqueles que hoje estão noutras candidaturas por convicção, por ilusão ou por necessidade de sobrevivência. A nossa porta estará sempre aberta. Esta é uma das diferenças mais concretas e mais verificáveis entre a nossa candidatura e as restantes.

Que garantias podem ser dadas aos militantes de que o resultado eleitoral será respeitado e de que não existirão represálias políticas contra apoiantes das diferentes candidaturas?

A nossa maior garantia é o rigor do nosso percurso e a firmeza dos nossos princípios — que pedimos que sejam verificados e cobrados desde o primeiro dia. Defendemos a autonomia das concelhias e a escolha por mérito precisamente para blindar estruturalmente o partido contra o arbitrário que caracterizou a escola de Melo e de Barbosa.

Aos militantes que foram perseguidos, silenciados ou que simplesmente deixaram de se rever na deriva atual: as portas estão abertas de par em par. O dia 5 de julho é o momento em que o voto pode derrotar o medo e devolver a dignidade que a Distrital de Braga merecia sempre ter tido.

O crescimento eleitoral do CHEGA no distrito de Braga nos últimos anos deve ser atribuído sobretudo ao trabalho da atual direção distrital ou ao crescimento nacional do partido liderado por André Ventura?

Sejamos rigorosos: o fulgurante crescimento do CHEGA em Braga, à semelhança do que aconteceu em todo o país, é indissociável do trabalho, do carisma e da visão nacional de André Ventura. A estrutura distrital — onde pontuavam Filipe Melo na liderança e Carlos Barbosa na presidência da Mesa da Assembleia Distrital — apanhou boleia desse crescimento orgânico sem o ter gerado.

O facto de o distrito ter perdido quadros fundadores, autarcas de referência e militantes de valor durante este ciclo de expansão é a prova mais eloquente de que o partido cresceu em Braga apesar desta liderança, nunca por causa dela. Atribuir o mérito do crescimento a esta dupla seria uma distorção da realidade. Imaginemos em que patamar estaria hoje o CHEGA em Braga se tivesse tido uma liderança focada em agregar e potenciar talentos, em vez de os perseguir por delito de opinião.

Quais são as três principais prioridades da vossa candidatura para os próximos dois anos de mandato na Distrital de Braga?

Primeiro: Restaurar a credibilidade institucional. Implementar uma gestão política totalmente transparente, pondo fim à cultura do medo, da mordaça e do clientelismo. A Distrital deve ser uma casa de vidro — visível e accountable perante todos os militantes.

Segundo: Consagrar a autonomia das concelhias. Dotar as estruturas locais de capacidade real de decisão e de meios próprios, acabando de vez com a lógica de partido gerido verticalmente de cima para baixo.

Terceiro: Planear com antecedência o desafio autárquico de 2029. Iniciar de imediato o recrutamento de candidatos pelo mérito e pelo enraizamento comunitário, e trazer de volta os quadros de excelência que foram injustamente afastados — porque o partido não se pode dar ao luxo de desperdiçar talento por razões de conveniência política.

Que medidas concretas defendem para reforçar a participação dos militantes e melhorar a comunicação entre os órgãos distritais, os eleitos locais e as estruturas concelhias?

Quatro medidas concretas e verificáveis desde o primeiro mês de mandato:

Reuniões distritais periódicas e abertas a todos os militantes, com convocatórias publicadas antecipadamente e atas disponíveis a todos sem exceção.

Um canal direto, ágil e permanente de comunicação entre a comissão distrital e cada coordenador concelhio — sem intermediários nem filtros políticos.

Mecanismos consultivos formais junto das bases antes de qualquer decisão de caráter estratégico — porque governar bem começa por ouvir.

Uma política de porta aberta real: qualquer militante deve poder chegar à liderança distrital com a garantia de que a sua crítica construtiva será ouvida e não punida. Esse direito não é um favor — é uma obrigação estatutária e um princípio democrático elementar.

Consideram que o atual clima interno pode prejudicar a preparação das próximas eleições autárquicas?

Sem margem para dúvidas. Cada dia consumido em guerrilhas internas é um dia subtraído à organização territorial, à captação de candidatos de qualidade e ao trabalho de proximidade com as populações dos 13 concelhos do distrito. As autárquicas de 2029 podem parecer um horizonte distante, mas a preparação séria começa agora — e começa com uma liderança distrital estável, respeitada e credível.

É por isso que a resolução deste processo eleitoral com clareza e coragem é uma urgência que vai muito além das querelas internas do partido: é uma obrigação para com os eleitores de Braga, que merecem uma alternativa política séria e bem preparada.

Que mensagem pretendem deixar aos militantes que observam com preocupação a crescente troca de acusações entre dirigentes do partido no distrito?

A vossa preocupação é legítima, partilhamo-la profundamente, e compreendemos o peso de cada uma das palavras que têm dito em privado e que muitos ainda não têm coragem de dizer em público.

Sabemos que há militantes que ergueram o CHEGA em Braga tijolo a tijolo, com sacrifício pessoal e convicção genuína, e que hoje assistem a este espetáculo com tristeza e vergonha. Um espetáculo onde antigos aliados se zangam por poder, constroem ilusões de renovação e vendem promessas que contradizem tudo o que fizeram — ou deixaram de fazer — nos anos anteriores.

A todos — aos que resistiram nas bases sob o clima de pressão, aos que se afastaram por recusar o compadrio, aos que ainda estão indecisos à procura de uma razão para acreditar — deixamos um apelo simples e direto:

O dia 5 de julho é o vosso dia. Não o dia de Melo. Não o dia de Barbosa. O vosso dia — o dia em que cada militante tem nas mãos o poder real de mudar o rumo do CHEGA em Braga.

Votem em consciência. Votem contra a continuidade disfarçada de renovação. Votem por uma Distrital livre, democrática, que vos orgulhe e que não vos envergonhe. Votem na Lista de Paulo Ralha — e depois exijam de nós, todos os dias, o cumprimento rigoroso de cada compromisso que assumimos. Essa exigência é exatamente o que queremos. É o que Braga merece. E é o que o CHEGA precisa para ser, de facto, mais forte.

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