Nevogilde mantém viva tradição dos “atrancos” e do roubo de vasos

A freguesia de Nevogilde volta a viver, ano após ano, uma das tradições mais singulares associadas às celebrações de São João no Minho: a chamada “noite dos atrancos”, marcada pelo “roubo” de vasos, objetos de jardim e outras peças decorativas que acabam reunidas nos espaços centrais da comunidade.

Trata-se de um costume antigo, profundamente enraizado em várias freguesias do norte do país, em que grupos de jovens percorrem discretamente as ruas durante a noite de 23 para 24 de junho, levando consigo vasos, floreiras e outros elementos colocados à porta das habitações. Em Nevogilde, como noutras localidades da região, o objetivo não é o furto em sentido literal, mas sim a recriação de uma brincadeira comunitária que faz parte da identidade sanjoanina.

De acordo com registos de tradições semelhantes em anos anteriores noutras freguesias do Minho e do Vale do Sousa, estes objetos acabam por ser colocados em adros, largos ou junto à igreja, criando no dia seguinte um cenário inesperado que provoca surpresa, gargalhadas e conversas entre vizinhos, enquanto os proprietários recuperam os seus pertences.

Em algumas versões mais antigas desta prática, associadas a várias zonas rurais do Minho, o costume incluía também a deslocação de outros objetos domésticos e agrícolas, numa dinâmica que reforçava o espírito de convívio, rivalidade saudável entre grupos e participação juvenil nas festas populares. Com o passar do tempo, a tradição foi sendo adaptada, concentrando-se sobretudo em vasos e elementos decorativos de jardim.

Apesar de ser vista como uma brincadeira popular, as autoridades locais e a própria comunidade sublinham frequentemente a importância de manter estes costumes dentro de limites seguros e respeitadores, evitando danos materiais ou situações de conflito.

Em Nevogilde, a tradição dos “atrancos” continua assim a ser encarada como parte do imaginário sanjoanino, refletindo a forte ligação da freguesia às celebrações de São João e ao património cultural imaterial que caracteriza as festas populares do Minho.

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