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Português tetraplégico viaja para a Suíça para recorrer à eutanásia

Ricardo Fernandes, um empresário português de 44 anos que ficou tetraplégico na sequência de um acidente rodoviário em 2011, deslocou-se à Suíça para recorrer à morte assistida através da associação Dignitas, concretizando uma decisão que já havia tornado pública em diversas entrevistas. Segundo o relato divulgado pelo grupo “Portugueses da Suíça”, o português partilhou na…

Português tetraplégico viaja para a Suíça para recorrer à eutanásia

Ricardo Fernandes, um empresário português de 44 anos que ficou tetraplégico na sequência de um acidente rodoviário em 2011, deslocou-se à Suíça para recorrer à morte assistida através da associação Dignitas, concretizando uma decisão que já havia tornado pública em diversas entrevistas.

Segundo o relato divulgado pelo grupo “Portugueses da Suíça”, o português partilhou na sexta-feira uma última mensagem nas redes sociais, acompanhada de uma fotografia com os olhos fechados e auscultadores, a ouvir a música Liberté (Liberdade), dos Afro House Galaxy, e com a mensagem “Até já”.

Em abril do ano passado, numa entrevista à revista Sábado, Ricardo Fernandes descreveu a eutanásia como uma forma de “liberdade medicamente assistida”, sublinhando a reflexão prolongada sobre a sua decisão.

O empresário deixa a esposa, Ana, de 50 anos, e dois filhos na casa dos 20 anos, que, segundo o próprio, respeitaram e apoiaram a sua escolha. Nos dias que antecederam a deslocação à Suíça, terá estado reunido com familiares e amigos, descrevendo esse período como de forte significado emocional.

Após o acidente, Ricardo Fernandes fundou uma empresa de serviços de limpeza que chegou a empregar mais de 100 pessoas, mantendo-se ativo profissionalmente durante vários anos. No entanto, vivia com limitações severas, dependendo de terceiros para tarefas básicas do dia a dia, como alimentar-se ou vestir-se.

Na mesma entrevista, comparou a sua condição a um “pássaro sem asas”, sublinhando o sofrimento físico e psicológico associado à sua incapacidade. Reconheceu ainda que a decisão poderia ser vista como controversa, mas afirmou tratar-se de uma escolha centrada na gestão do próprio sofrimento.

Ricardo lamentava também a ausência de legislação em Portugal que regulasse a morte assistida, o que o levou a recorrer ao estrangeiro, implicando um processo emocionalmente mais difícil para a família e custos estimados entre 15 mil e 20 mil euros.

De acordo com as informações divulgadas, o procedimento de morte assistida na Suíça envolve a administração de pentobarbital de sódio. O empresário expressou ainda o desejo de ser cremado e de que as suas cinzas fossem lançadas ao mar.

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