Acusação sobre alegado lar ilegal em Vila Verde lança nova polémica no Chega

Mensagens trocadas em grupos internos do Chega revelam críticas a Júlio Zamith e troca de acusações entre militantes do partido

Mensagens partilhadas em grupos privados do Chega, a que o VOX teve acesso, revelam um clima de forte tensão interna entre elementos do partido em Vila Verde e no distrito de Braga.

Numa das conversas, ocorrida no grupo “Grupo Municipal Chega – Vila Verde”, Elisabete Rodrigues dirige-se ao deputado municipal Júlio Zamith, criticando o seu posicionamento político e questionando a permanência do eleito na bancada do partido.

Na mensagem, a militante afirma que Zamith se tem afastado repetidamente das posições assumidas pelo grupo municipal, considerando que a situação “não é nova” e que se tem repetido ao longo do mandato. O texto vai mais longe ao questionar se faz sentido que o deputado continue a ocupar o lugar conquistado sob a sigla do Chega quando, segundo a autora da mensagem, não acompanha nem respeita as decisões da bancada.

A mesma intervenção sublinha ainda que o mandato foi conquistado através do trabalho coletivo da equipa e do projeto político apresentado aos eleitores de Vila Verde.

Em resposta, Júlio Zamith rejeitou as críticas e defendeu a sua autonomia enquanto eleito. Numa mensagem enviada no mesmo grupo, o deputado municipal afirmou que “vivemos em Democracia, regida por uma Constituição e leis muito claras: o mandato de um deputado municipal é individual”, acrescentando que não faz parte de “qualquer rebanho”. Zamith garantiu ainda que continuará a exercer o mandato “da melhor forma” e “sempre de acordo com os interesses de Vila Verde e de todos os vila-verdenses”.

Troca de mensagens no grupo distrital

Noutra conversa, desta vez no grupo “Chega Distrito de Braga”, Elisabete Rodrigues reage a uma publicação de Henrique C., que ironiza com o deputado Filipe Melo, escrevendo: “Parabéns ao @filipemelo, fez um churrasco e conseguiu pagar a carne!”.

Em resposta, Elisabete Rodrigues comenta: “Fiquei emocionada.”

Contudo, a conversa ganhou outro tom quando uma participante identificada como Sílvia respondeu à mesma mensagem, deixando uma publicação onde questiona sarcasticamente se Elisabete Rodrigues estará “emocionada com o lar ilegal que existe em Vila Verde”, acrescentando ainda a frase: “Será que vai haver surpresas esta semana?”.

A mensagem inclui igualmente referências pessoais dirigidas à militante do Chega.

Alegações sem confirmação

Até ao momento, não existe qualquer elemento nas mensagens a que o VOX teve acesso que permita confirmar a existência de qualquer situação ilegal relacionada com um alegado lar em Vila Verde. A referência surge apenas como uma acusação ou insinuação feita numa troca de mensagens privadas entre membros e apoiantes do partido.

O VOX procurará obter esclarecimentos junto de Elisabete Rodrigues, de Júlio Zamith e das restantes partes envolvidas, bem como confirmar junto das entidades competentes se existe algum processo ou investigação relacionado com as alegações mencionadas nas conversas.

As mensagens evidenciam, contudo, um ambiente de crescente divisão interna no seio das estruturas locais e distritais do Chega, numa altura em que o partido se prepara para novos desafios políticos no concelho e no distrito.

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