Joana Pinto em exclusivo ao VOX: “Nunca fui formalmente afastada da Juventude CHEGA Braga”
Após a publicação da entrevista exclusiva do Semanário VOX a Bruno Veloso, antigo dirigente da Juventude CHEGA em Braga, a redação procurou ouvir Joana Pinto sobre as declarações que lhe diziam diretamente respeito e sobre os acontecimentos internos relatados pelo ex-militante.
Numa entrevista exclusiva concedida ao VOX, Joana Pinto apresenta a sua versão dos factos, contesta várias das afirmações feitas por Bruno Veloso e sustenta que continuou a exercer funções de coordenação da Juventude CHEGA Braga até 2025, com o reconhecimento da estrutura nacional da organização liderada por Rita Matias.
Ao longo da conversa, a autarca de Guimarães aborda o alegado conflito com Filipe Melo e Bruno Veloso, comenta o atual momento político vivido pelo CHEGA no distrito de Braga e deixa críticas à condução da estrutura distrital, ao mesmo tempo que manifesta total confiança na Direção Nacional do partido e na liderança de André Ventura.
Numa altura em que o processo eleitoral interno em Braga continua a gerar debate entre militantes e dirigentes, o VOX publica, em exclusivo, a entrevista integral de Joana Pinto, garantindo assim o contraditório e dando voz às diferentes perspetivas sobre um dos temas que mais tem marcado a atualidade política interna do partido no distrito.
Confirma que, após 2022, assumiu funções de dirigente da Juventude CHEGA em Braga?
2023 até 2025, quando fiz 30 anos.
Em que data assumiu essas funções e por que meio foi nomeada ou reconhecida internamente?
Meados de Junho de 2023, na apresentação da concelhia de Braga, Filipe Melo a pedido da Rita Matias, anunciou a todos os presentes a minha nomeação.
Existe algum documento, ata, comunicação interna ou nomeação formal que comprove que era a responsável pela Juventude CHEGA Braga?
Respondi na pergunta anterior. Fui também nomeada Mandatária da juventude distrital para as eleições legislativas, pela presidente da juventude chega, Rita Matias.

Quando afirma que Bruno Veloso “usurpou” o seu cargo, a que factos concretos se refere?
Bruno Veloso desistiu do partido mas ficou como administrador do grupo de whatssapp oficial da juventude Distrital, pelo que a pedido do Filipe Melo, me retirou do mesmo, desautorizando-me da minha função de coordenadora distrital da JCH.
As publicações da página oficial da JCH braga foram removidas numa tentativa de apagar todo o trabalho feito.
Quem, dentro da estrutura distrital ou nacional, tinha competência para validar ou retirar esse cargo?
Apenas a presidente deste órgão – Rita Matias.
Foi alguma vez formalmente afastada dessas funções?
Nunca fui afastada formalmente.
Recebeu alguma comunicação nesse sentido?
Nada, apenas ao ser retirada de tudo o que eram listas e grupos por alguém sem essa autorização.
Que papel atribui a Filipe Melo neste processo?
Toda a responsabilidade, ao ponto de apagar no grupo de WhatsApp da distrital um vídeo que fiz com a Rita Matias na Guarda no arranque da campanha oficial das legislativas 2025, onde se anunciava o jantar comício em Guimarães.

Afirma que Bruno Veloso se aliou a Filipe Melo. Em que momento ocorreu essa aproximação e com que consequências internas?
Sempre estiveram ligados. Era habitual vê-los em confraternização no bar do irmão do Filipe Melo. Como consequências foi mesmo o facto do Bruno Veloso aproveitar do facto de, na base da confiança e respeito, o ter mantido como administrador do grupo de WhatsApp e Instagram para me afastar.
A direção nacional da Juventude CHEGA teve conhecimento desta disputa?
Sim, aliás a Rita Matias recebeu um print da mensagem do Filipe melo a desautoriza-la ao dizer que “quem manda na meu distrito sou eu”, ignorando o facto da Juventude ser um órgão independente.
Que resposta lhe foi dada?
Foi feito um vídeo, no arranque da campanha oficial na Guarda, em que Rita Matias reforça a minha nomeação enquanto mandatária distrital da juventude para as legislativas de 2025.
Quando diz que “ela não manda em Braga”, refere-se à líder nacional da juventude? Pode explicar o contexto dessa frase?
Como referi acima, isto foi escrito pelo Filipe melo para justificar o meu afastamento, mensagem essa que seguiu para a responsável da Juventude, Rita Matias.
Bruno Veloso afirma que “a causa se perdeu”. Considera que essa crítica tem relação com esta disputa interna?
A causa acabou por se perder em interesses pessoais, acredito. Talvez porque os benefícios ou expectativas individuais não tenham sido os inicialmente prometidos! Mas isso não está relacionado com a causa do partido em si. A Direção Nacional do CHEGA tem demonstrado um trabalho incansável, assim como o seu presidente, André Ventura, que tem procurado agir com coerência e sentido de justiça sempre! Na minha opinião, e de tantos militantes, os problemas da Distrital de Braga resultam sobretudo da forma como esta tem sido conduzida por Filipe Melo e pela sua equipa. Acredito, contudo, que muitos dos seus membros acabarão por se desiludir com o tempo, ao perceberem que determinadas atitudes e práticas não refletem os princípios e valores que levaram tantos militantes a acreditar no projeto político do partido. Os militantes procuram transparência, respeito, mérito e trabalho em prol do bem comum. Quando esses valores são colocados em segundo plano, é natural que surjam divergências, descontentamento e afastamento de quem genuinamente acredita na causa. Relativamente às causas pessoais, a mim move-me o projeto que André Ventura e o partido Chega tem para o país, pois sou mãe, mulher, jovem, e sei que o Chega é a única solução para fazer de Portugal um país forte e seguro.

Na sua perspetiva, a Juventude CHEGA Braga teve direção legítima entre 2022 e 2024?
Até 2025, continuei a liderar a Juventude CHEGA de Braga, desempenhando as minhas funções com total dedicação, até ao momento em que fui removido dos grupos de trabalho e comunicação.
Importa recordar que a minha permanência nessas funções não resultava apenas da legitimidade conferida pelo então responsável distrital, que o anunciou publicamente durante a tomada de posse da Concelhia de Braga. Acima de tudo, essa era a vontade expressa e reiterada da Direção Nacional da Juventude CHEGA, que sempre reconheceu e validou o trabalho desenvolvido pela minha equipa.
Quem a exercia de facto?
Sempre fui eu, com a minha equipa. Até que Filipe Melo decidiu pedir ajuda a Bruno Veloso para me retirar dos grupos de comunicação oficial e tentar apagar todos os registos.
Durante esse período, quem representava oficialmente a juventude em reuniões, eventos e comunicações públicas?
Inicialmente eu, entretanto a pessoa que mais ia sendo conveniente para o Filipe Melo, sem a minha autorização nem a autorização da JCH nacional.
Houve outros militantes ou dirigentes que testemunharam esta situação e possam confirmar a sua versão?
Sim. Nuno Vaz Monteiro e Pedro Pinto. Inclusive acompanharam-me a Lisboa na tomada de posse como mandatária distrital, juntamente com outros mandatários, com a direção nacional do partido chega, com Pedro Pinto e o próprio André Ventura.
Esta divergência foi tratada internamente ou nunca chegou a haver resolução formal?
Nunca houve resolução formal.
Considera que o atual processo eleitoral distrital está a ser condicionado por conflitos antigos dentro do CHEGA Braga?
Infelizmente está a ser condicionado por medos, receios e ameaças em privado por parte da equipa de Filipe Melo.

Pretende apresentar queixa interna, pedido de esclarecimento ou algum documento formal ao partido?
O meu foco principal continua a ser Guimarães e o mandato que exerço em representação dos cidadãos do concelho. Paralelamente, estarei empenhado em contribuir para que a política no distrito de Braga siga um rumo de união, credibilidade e crescimento, ao lado de Carlos Barbosa, Nuno Vaz Monteiro, Paulo Pimenta e de toda a equipa da candidatura Braga Rumo ao Futuro.
Estarei sempre disponível para colaborar e trabalhar em tudo o que for necessário para o partido, porque é no CHEGA que encontro os valores, os princípios e a visão de país com que me identifico e que considero fundamentais para o futuro de Portugal.
Reitero também o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pela Direção Nacional, que tem demonstrado uma dedicação incansável à consolidação e crescimento do partido. Da mesma forma, considero que André Ventura tem sido um presidente justo, coerente e firme na defesa dos compromissos assumidos perante os militantes e os portugueses.
Braga merece uma representação séria, competente e assente em valores. Na minha opinião, Carlos Barbosa é o candidato que melhor reúne as qualidades, a experiência e a capacidade de unir o partido em torno de um projeto sólido, credível e orientado para o futuro.
Quer deixar alguma resposta direta às declarações de Bruno Veloso publicadas pelo Semanário VOX?
O partido é muito maior do que qualquer dirigente ou estrutura local. Não devemos avaliar um projeto político nacional pelo comportamento ou pelas decisões de uma única pessoa. O CHEGA e a sua liderança nacional têm um propósito, princípios e uma missão que merecem ser analisados pelo seu próprio mérito, e não à luz de problemas que pertencem exclusivamente ao contexto distrital e às relações pessoais de quem nele está envolvido.
Está disponível para facultar documentação que sustente a sua versão dos acontecimentos?
Registos de menagens e afins? Não vejo problema nisso.
Que impacto considera que este episódio teve na credibilidade da estrutura jovem do CHEGA em Braga?
Sinto, acima de tudo, tristeza ao ver alguns militantes confundirem os problemas e erros de determinadas pessoas com aquilo que representa o partido. Considero injusto que o CHEGA e André Ventura sejam alvo de críticas por situações que, na sua essência, resultam de conflitos pessoais, divergências internas e questões mal resolvidas a nível individual.
